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China volta a ter o supercomputador mais rápido

em Tecnologia
quarta-feira, 24 de junho de 2026

O site Top500.org acompanha o desenvolvimento do mercado de supercomputadores, publicando em junho e novembro um ranking dessas máquinas, classificadas por sua capacidade de cálculo.

Vivaldo José Breternitz (*)

O ranking recém-publicado mostra a China voltando ao primeiro lugar, posto que não ocupava desde 2017. O LineShine, desenvolvido pelo National Supercomputer Center, alcançou a marca de 2,198 exaflops, superando o então líder, o norte-americano El Capitan (1,809 exaflops), do Lawrence Livermore National Laboratory; um exaflop é uma medida de desempenho usada para supercomputadores e significa a capacidade de realizar um quintilhão (1018) de operações por segundo.

O feito é histórico: segundo o Top500.org, o LineShine é o primeiro sistema a ultrapassar dois exaflops usando apenas CPUs, diferentemente dos concorrentes que utilizam GPUs, muito mais caras e sofisticadas.

O professor Jack Dongarra, um dos nomes mais importantes da história da supercomputação e que recebeu em 2021 o Prêmio Turing, considerado o “Nobel da Computação”, disse ao The New York Times que o LineShine “é um sistema impressionante”.

Também é impressionante o fato de que, apesar das restrições impostas ao país, a China ter conseguido chegar ao topo. O ranking agora tem cinco sistemas com capacidade superior a um exaflop: além do líder chinês, três americanos e um alemão.

O Top500 destacou a variedade arquitetural dos sistemas, que utilizam tecnologias da Intel, AMD, NVIDIA e soluções híbridas, afirmando não haver um caminho único para a computação desse porte, o que é bom para evitar monopólios.

Fiel à sua cultura, Pequim mantém seus projetos de supercomputação sob sigilo, não tendo sido divulgados mais detalhes sobre a máquina.

Os supercomputadores mais rápidos instalados no Brasil são o Pégaso, da Petrobrás e o Santos Dumont, operado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). Espera-se que, ainda esse ano, entre em funcionamento uma máquina mais poderosa, prevista pelo Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e como as anteriores, construída com tecnologia predominantemente americana.

Esses supercomputadores sequer aparecem no ranking Top500; isso não os desmerece, pois podem contribuir muito para o desenvolvimento científico e tecnológico de nosso país.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das coisas – [email protected].

Supercomputadores e IA: moldando um futuro mais sustentável – Jornal Empresas & Negócios