
Informes dão conta que cientistas chineses teriam desenvolvido uma arma de micro-ondas de altíssima potência, capaz de interferir no funcionamento ou até danificar satélites em órbita baixa da Terra (LEO).
Vivaldo José Breternitz (*)
Para se ter uma ideia de quantos e quais problemas o uso dessa arma poderia gerar, basta lembrar que apenas a Starlink tem cerca de nove mil desses satélites em operação, e que satélites LEO cumprem uma vasta gama de funções, como as ligadas a comunicações, meteorologia, pesquisa e defesa, orbitando a uma altitude de até dois mil quilômetros.
O jornal South China Morning Post, de Hong Kong, não minimizou a ameaça, mencionando repetidamente os satélites da Starlink e descrevendo a arma, que vem sendo chamada TPG1000Cs, como “o pior pesadelo da Starlink”.
O TPG1000Cs foi criado por uma equipe de pesquisa do Laboratório de Ciência e Tecnologia de Micro-ondas de Alta Potência, em Xian, província de Shaanxi. A arma é baseada em um gerador capaz de produzir pulsos de 20 gigawatts de energia em micro-ondas.
Segundo os informes, o dispositivo se destaca por dois motivos principais: seria o primeiro capaz de manter um pulso de 20 gigawatts por um minuto ininterruptamente e, ao mesmo tempo, é compacto medindo quatro metros de comprimento e pesando cinco toneladas.
Isso o torna relativamente fácil de transportar em viaturas militares ou lançar ao espaço. Versões anteriores da arma eram pelo menos duas vezes maiores e só conseguiam produzir pulsos por alguns segundos.
Para se ter uma ideia da capacidade da arma, estudos indicam que satélites da Starlink podem ser afetados por armas terrestres de micro-ondas de apenas um gigawatt, o que reforça o poder do TPG1000Cs.
Os cientistas chineses seguem aperfeiçoando a arma; em paralelo, militares já testaram o sistema, que teria operado de forma estável e consistente e, em paralelo, vêm estudando formas negar acesso à Starlink a partir de Taiwan, um possível cenário de utilização da arma.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

