
O entusiasmo dos americanos por veículos elétricos (VE) parece estar esfriando, mesmo com um número recorde de modelos disponíveis.
Vivaldo José Breternitz (*)
Nos últimos quatro anos, cerca de 75 novos modelos totalmente elétricos foram lançados nos Estados Unidos, oferecendo aos consumidores uma variedade sem precedentes de opções. No entanto, pesquisas recentes indicam que essa ampliação da oferta não se traduziu em maior interesse por parte dos compradores.
Um novo estudo da AAA (American Automobile Association), realizado em março ouvindo mais de 1.100 pessoas, revelou que apenas 16% dos entrevistados afirmam estar “muito propensos” ou “propensos” a escolher um veículo elétrico como próximo carro — o menor índice registrado desde antes da pandemia. Ao mesmo tempo, aumentou de 51% para 63% a proporção dos que se dizem “pouco propensos” ou “nada propensos” a considerar um VE.
A pesquisa aponta para as preocupações que moldam a opinião dos consumidores: o alto custo de manutenção e de substituição de baterias foi citado por 62% dos que rejeitam a ideia de adquirir um VE, enquanto 59% mencionaram o preço de compra mais elevado em relação ao dos veículos a combustão.
A viabilidade para viagens longas também é questionada: a maioria dos entrevistados não acreditam que os VEs sejam adequados para esse tipo de uso em função da infraestrutura de recarga: 56% reclamam da escassez de estações públicas acessíveis e 55% temem ficar sem carga em locais isolados. Mais de um quarto dos participantes também relataram dificuldades para instalar carregadores residenciais.
As expectativas quanto ao futuro do mercado também mudaram. Em 2022, 40% dos americanos acreditavam que os VEs superariam os veículos a combustão em uma década. Hoje, esse número caiu para 23%, refletindo um ceticismo crescente quanto à velocidade da transição.
Apesar do apelo de custos menores com combustível e manutenção, o alto valor inicial continua sendo um fator de rejeição. Uma pesquisa da AAA de 2023 apontou que, embora os VEs apresentem os menores custos operacionais, o custo total de propriedade é elevado quando se leva em conta a depreciação e custos de financiamento.
Apesar da ampla oferta, os dados sugerem que grande parte dos americanos ainda não está convencida de que os veículos elétricos são a melhor opção. Para a indústria automotiva, o desafio agora é vencer a desconfiança dos consumidores quanto ao custo, conveniência e praticidade dos VEs — uma tarefa que pode levar mais tempo do que se previa.
No Brasil a infraestrutura para recarga é ainda mais deficiente, tornando mais difícil a popularização dos elétricos – aqui, talvez, os híbridos possam fazer mais sucesso.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].




