Brincar com computadores pode ser perigoso

Nestes tempos, quando se fala tanto em cibersegurança, que pode ser definida como o conjunto de medidas que protege computadores, dispositivos móveis, aplicativos, redes e dados contra ataques, é oportuno relembrar um fato ocorrido em 1988 que ajudou a despertar a atenção para esse tema.

Vivaldo José Breternitz (*)

Naquela época, o mundo da computação era totalmente diferente, inclusive em termos de preocupações com segurança: desktops eram caros, notebooks praticamente não existiam. Hackers já estavam em ação, mas pensavam apenas em atacar grandes computadores de empresas e governos, não se dando ao trabalho de acessar computadores de porte menor, cujos usuários não precisavam se preocupar com o assunto.

Nessa ocasião, Robert Tappan Morris, graduado em Harvard e estudante de pós graduação da Cornell University, decidiu, por curiosidade, descobrir quantos computadores estavam conectados à internet. Com esse objetivo, escreveu um programa que acessaria todas as máquinas conectadas, fornecendo a informação desejada por Morris.

Mas o programa continha um erro: ele se instalava em cada computador conectado, onde reproduzia-se exponencialmente e acessava outros computadores onde fazia a mesma coisa, travando-os – um verdadeiro círculo vicioso. Involuntariamente, Morris criou o primeiro vírus que chegou às manchetes – foi chamado Morris Worm.
O caos instalou-se na internet, mas especialistas resolveram rapidamente o problema; porém, os prejuízos gerados pela paralisação dos computadores e as despesas necessárias à solução do problema chegaram a US$ 10 milhões.

Em pânico, Morris procurou ocultar o que havia feito, mas seu pai, também chamado Robert Morris, cientista-chefe do National Computer Security Center do governo americano, convenceu-o a confessar.

Embora o acontecimento tenha sido considerado um acidente, Morris foi a primeira pessoa a ser condenada com base no Computer Fraud and Abuse Act de 1986: recebeu uma sentença de três anos de prisão, em liberdade condicional, sendo obrigado também a cumprir 400 horas de serviço comunitário e a pagar uma multa de US$ 10 mil. Apesar disso, terminou seus estudos, tornou-se um empresário de sucesso e professor do MIT.

A história serve para nos alertar acerca da importância da cibersegurança e dos perigos que brincar com computadores pode trazer.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de IoT

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