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Bill Gates fala em catástrofe na área de saúde

em Tecnologia
quinta-feira, 31 de julho de 2025

Bill Gates segue manifestando sua oposição aos drásticos cortes promovidos pela administração Trump nos programas de ajuda externa dos Estados Unidos, e alerta para as consequências catastróficas desses cortes, especialmente em programas de saúde pública.

Vivaldo José Breternitz (*)

Gates compartilhou o relato de um médico africano cuja clínica, financiada pelo PEPFAR (Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Combate à AIDS), está prestes a fechar as portas. O relato revela que tratamentos essenciais contra o HIV em crianças devem cessar em poucas semanas. “Estamos há meses aguardando o fornecimento de medicamentos”, relatou o médico. “E não somos os únicos.”

A crise, segundo Gates, é resultado direto da decisão do governo Trump de cortar verbas para ajuda externa e desmantelar agências como a USAID, influenciado pela chamada Secretaria de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês), parte da máquina de cortes que era comandada por Elon Musk.

Usando o depoimento do médico, Gates enfatizou o impacto das medidas: “Os efeitos devastadores desses cortes são evitáveis, e ainda há tempo para revertê-los”, declarou em 11 de julho, usando sua conta na rede social X.

Na mesma data, Gates publicou um vídeo destacando os resultados históricos da ajuda americana em campanhas de vacinação pelo mundo. Ele lembrou que as vacinas são a principal razão pela qual o número de mortes de crianças caiu de 10 milhões para menos de 5 milhões ao ano nas últimas décadas.
Alertou ainda que os cortes propostos para a Aliança Global para Vacinas, podem causar “um milhão de mortes adicionais” a cada ano. “Espero que possamos usar nossa generosidade para manter essas pessoas vivas”, concluiu Gates.

Essa não é a primeira investida de Gates contra os cortes. No início de julho, ele já havia se manifestado na rede X, citando um estudo da revista científica The Lancet que apontava os efeitos acumulados da redução da ajuda americana: segundo a revista, até 2040, oito milhões de crianças poderão morrer antes de completar cinco anos. “Os fatos são simples e devastadores: os cortes já custaram vidas, e o número de mortes continuará subindo”, publicou.

Em entrevista ao Financial Times em maio, Gates foi ainda mais direto, apontando o responsável pelas medidas: “A imagem do homem mais rico do mundo matando as crianças mais pobres do planeta não é bonita”, disse, referindo-se a Elon Musk.

Ao New York Times, Gates disse que embora Musk possa vir a se tornar um grande filantropo, “por ora, o homem mais rico do mundo está envolvido na morte das crianças mais pobres do mundo”.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].