
Um artigo recentemente publicado no BMJ Global Health Journal alerta que entre 670 milhões e 1,35 bilhão de adolescentes e jovens adultos podem enfrentar perdas auditivas em função de práticas de escuta inseguras.
Vivaldo José Breternitz (*)
O artigo, que é uma revisão sistemática e meta-análise dos dados de 33 estudos envolvendo cerca de 19 mil pessoas com idades entre 12 e 34 anos, mostra que os hábitos de escuta de música estão colocando a audição de muitas dessas pessoas em risco.
Os pesquisadores focaram-se em duas fontes significativas de exposição à música em volumes muito altos: dispositivos de uso pessoal, como fones de ouvido convencionais e auriculares e eventos de música ao vivo.
Segundo o artigo, aproximadamente 24% dos jovens ouvem seus dispositivos em volumes altos o suficiente para prejudicar sua audição. Enquanto isso, 48% são expostos a níveis de som inseguros em shows, bares e salas de espetáculos.
Esses cenários geram práticas de escuta inseguras que podem levar à perda auditiva induzida por ruído (Noise-Induced Hearing Loss, ou NIHL) e a problemas auditivos ao longo da vida, como tinnitus – o zumbido constante no ouvido.
Com uma população global de cerca de 2,8 bilhões de pessoas na faixa etária de 12 a 34 anos, os pesquisadores alertam que até 1,35 bilhão de jovens estão correndo o risco de sofrerem danos permanentes à audição.
Esses números confirmam os trazidos por um relatório de 2015 da Organização Mundial da Saúde (OMS) que estimou que 1 bilhão de jovens estavam em perigo; o crescimento do número de dispositivos de escuta de uso pessoal e do número de eventos ao vivo intensificam os riscos.
Os pesquisadores concluem afirmando que há uma necessidade urgente de que governos, indústria e sociedade civil priorizem a prevenção global da perda auditiva promovendo práticas de escuta seguras.
Padrões globais, recomendações e kits de ferramentas da OMS estão disponíveis para auxiliar no desenvolvimento e implementação de políticas e iniciativas de saúde pública para promover a escuta segura em todo o mundo.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



