Alastra-se a Falta de Profissionais de Tecnologia da Informação

Temos discutido seguidamente a escassez de profissionais de Tecnologia da Informação.

Vivaldo José Breternitz (*)

O Gartner, importante empresa de pesquisa na área, acaba de publicar os resultados de uma investigação que dá conta de que essa escassez não se restringe a desenvolvedores e cientistas de dados, mas sim a todo o setor de TI, desde infraestrutura até segurança.

A pesquisa deixa claro que a indisponibilidade de talentos supera até mesmo os custos de implementação ou riscos de segurança como a principal barreira para que organizações adotem novas tecnologias.

Mesmo que haja suficiente mão de obra para desenvolvimento, a carência de pessoal de infraestrutura pode inviabilizar a implementação de novas soluções. A pandemia trouxe um aumento do trabalho remoto, que só pode ser viabilizado com mais trabalho das áreas de suporte.
Apesar do provável recuo da pandemia, muito trabalho continuará a ser executado na modalidade home office e a maioria das empresas já percebeu que é preciso aumentar o que vem sendo chamado resiliência, ou seja, a segurança e a disponibilidade dos sistemas utilizados por seus funcionários que atuam remotamente.

Além disso, programas de transformação digital devem aumentar a utilização desses sistemas por clientes e parceiros de negócios, tornando ainda mais importante essa resiliência, que para ser aumentada, necessita de muito trabalho de profissionais voltados às redes, nuvem, segurança, armazenagem de dados e outras áreas usualmente tidas como “menos nobres” nos ambientes de TI.

É um problema que só tende a se agravar. No caso do Brasil, é cada vez mais comum jovens profissionais passarem a prestar serviços a empresas localizadas no exterior, que pagam salários muito altos em relação aos que são praticados aqui. Nossas empresas devem pensar a mais longo prazo, definindo estratégias para reter e desenvolver talentos, deixando de manter o foco apenas no próximo projeto.

Instituições de ensino devem enxergar a situação como uma oportunidade, mas oferecendo cursos de qualidade, o que é vital para formar profissionais aptos a atender às necessidades das empresas.

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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