Agrava-se a Crise Hídrica

Neste momento em que se agrava a crise hídrica no Brasil, trazendo consigo possibilidades de racionamento de água e energia elétrica, convém lembrar estudo desenvolvido na Michigan State University, fundada em 1855, e que foi a primeira universidade americana a ter cursos voltados à área agronômica, sendo até hoje uma referência mundial no setor.

Vivaldo José Breternitz (*)

Pesquisadores da Universidade publicaram na Nature Climate Change, importante revista científica, um estudo que sugere que até o final deste século, cerca de 8% da população mundial pode ser afetada por secas extremas — isso representa o dobro da taxa de 3% registrada entre 1976 e 2005.

Com base em modelos de simulação climático-hidrológicos globais, cobrindo um período de 125 anos, os cientistas concluíram que o armazenamento de água em ambientes naturais, conhecido como TWS (Terrestrial Water Storage), pode diminuir em dois terços do mundo, devido às mudanças climáticas.

A expressão Terrestrial Water Storage refere-se à água acumulada em gelo, neve, rios, lagos, reservatórios, pântanos, solos e lençóis freáticos. É ela que determina o fluxo da água no ciclo hidrológico e, portanto, o volume de água disponível para uso humano. Uma queda desse volume significa secas mais intensas no futuro.
De acordo com os pesquisadores, as nações do hemisfério sul serão afetadas de forma mais dura, sendo que nessa parte do mundo muitas regiões já enfrentam problemas de falta de água, inclusive partes do Brasil.

Yadu Pokhrel, principal autor do estudo e professor de Engenharia Civil e Ambiental daquela Universidade, alerta que “precisamos nos comprometer com uma melhor gestão e adaptação dos recursos hídricos para evitar consequências socioeconômicas catastróficas devido à escassez de água em todo o mundo”.

A escassez de água suscitará também questões como segurança alimentar, conflitos e migrações; o Brasil certamente estará no centro das atenções, sendo oportuno que adotemos uma postura proativa em relação ao tema, dedicando mais atenção aos nossos recursos naturais como um todo.

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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