Super Heróis precisam de olhar empático?

Elisa Leão (*)

O mundo muda, as descobertas apresentam novas formas de viver e abrem possibilidades em diferentes esferas, inclusive nos relacionamentos.

As inovações estabelecem métodos, mostrando que o tempo passa e deixa marcas de aprendizados que são incorporados pela cultura das sociedades. Falando em cultura, é possível incluir as organizações que buscam aperfeiçoamento e renovação para se manterem competitivas no mercado. O passar do tempo revelou para as companhias a importância do respeito pelos sentimentos e também formas de como melhor trabalhar com as diferenças individuais.

As pesquisas de clima organizacional são parte de ferramentas que viabilizam a investigação da realidade, necessidades e novos direcionamentos que podem ser dados para uma melhor administração das pessoas. A modernidade deixou claro que os atestados médicos, a depressão, a ansiedade são gritos barulhentos de pessoas manifestando seus limites, muitas vezes ultrapassados pela urgência da performance. Incontestavelmente, esse mundo teve que mudar e respeitar um ritmo que é diferente para cada pessoa.

Depois das ferramentas de pesquisas e busca para melhor compreensão da dinâmica atual da sociedade trabalhadora, ficou claro que o aprendizado do momento é a empatia. Empatia significa a capacidade humana de estar com a outra pessoa tentando entrar no mundo dela, empenhando para melhor compreender as necessidades, o ponto de vista, as experiências e sentimentos. Todos apresentam seus mundos internos com emoções sentidas de maneiras peculiares e únicas. Seria injusto pensar ou dizer:

  • Mãe, você fica nervosa com seus filhos?
  • Claro! Ou – Nossa, você tem inveja?
  • Sim! Inveja é um sentimento normal do ser humano. Ou
  • Nunca imaginei que, às vezes, você gostasse de ficar sozinha!!
  • Por que não?

O processo empático envolve o não julgamento, mesmo porque até os super heróis mostram suas fragilidades e precisam de olhares empáticos e não só de expectativas. O Super Homem, com sensibilidade à criptonita, possui conflitos pessoais envolvendo a condição de “humano”. O homem e super-herói Batman, que contraditoriamente tem medo de morcegos, o que justamente lhe dá mais poder.

Seja Marvel ou DC Comics, os super heróis, também evidenciam seus reveses. Com a missão de salvar a humanidade todos carregam conflitos e demonstram reflexões intra e interpessoais. A gestão de pessoas das empresas é salvadora das cabeças pensantes que trabalham? Será que significa ser o super herói das organizações? Pode ser, mas cuidado com as expectativas, porque na vida real não é diferente, forças e fragilidades aparecem, como também a necessidade de serem compreendidas em muitos e diferentes momentos da vida.

Todos vivem tristezas, alegrias, tensões, ansiedades, medos. Até super heróis precisam ser compreendidos. Talvez a grande dificuldade de ver que outras pessoas têm um mundo próprio, esteja na comunicação. Conversar ouvindo o que o outro está dizendo é complicado e muitas vezes é mais fácil dizer “não” e impor demarcações de territórios e não precisar refletir ou perceber o sentimento alheio.

Mas, o processo empático está em alta, colocando em cheque dificuldades de relacionamentos. Querendo ou não é momento de pensar no próximo. De tentar buscar a essência e alegrar-se com as conquistas do vizinho. As organizações, o mundo dos resultados, as grandes e pequenas corporações já entenderam que o colaborador precisa ser ouvido.

Em 2019, a consultoria Businessolver divulgou uma pesquisa que realizou com 1850 trabalhadores profissionais de RH de empresas americanas. O resultado mostrou que 79% das empresas reconhecem o processo empático como sucesso dentro das companhias. A capacidade de ouvir o lado do outro tem sido benéfico para gestores e colaboradores.

Outro bom exemplo de pesquisa que comprova resultados favoráveis da empatia foi realizada pela empresa de consultoria The Empathy Business, que analisou 170 empresas americanas, indianas e europeias. As dimensões foram referentes ao clima organizacional e liderança e demonstraram que as empresas que investiam em desenvolvimento de empatia lucravam 50% mais do que aquelas que os líderes não conseguiam se conectar com os colaboradores.

Atualmente, os gestores compreendem que, se verdadeiramente perceberem seus liderados, terão boas consequências, incluindo diminuição dos problemas de saúde mental. Muitas organizações já adotaram programas específicos para desenvolvimento do processo empático, o que tem sido favorável para colaboradores, gestores e organização.

Aprender a ouvir e ver que a moeda tem sempre dois lados, tem sido tema de ações importantes que implicam envolver, inclusive, famílias dos integrantes das equipes. Se super-heróis tem fantasmas nos seus mundos internos e precisam de tempo e “colo” empático, imaginem os humanos!

(*) – Psicóloga clínica e palestrante, é professora doutora de Psicologia da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília.

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