Se o melhor é possível, o bom não é suficiente

Giba Lavras (*)

A educação é, atualmente, o principal fator migratório dos jovens do interior para as capitais.

Isso acontece geralmente entre os 15 e 18 anos, quando os estudantes estão se aproximando do vestibular e visam estudar em uma boa universidade. Muitos alunos deixam as famílias e migram sozinhos, começando uma nova vida independente e cheia de decisões para tomar. É um grande marco de transformação da adolescência para a fase adulta.

O estudante que estava acostumado com sua terra natal, uma pequena cidade, com o conforto de casa, o auxílio dos pais, a presença dos amigos de infância e de vizinhos que acompanharam seu crescimento, sai da zona de conforto e se depara com um mundo completamente novo, cheio de desconhecidos, com desafios enormes e a necessidade clara de assumir responsabilidade.

Esse fenômeno de migração estudantil faz com que as salas de aula dos cursos pré-vestibulares das capitais tenham, cada vez mais, uma mistura de alunos oriundos de diversos lugares do país e que precisam aprender a conviver com pessoas de diferentes culturas – o que gera um ganho de maturidade muito positivo pois, assim como na natureza prevalece a biodiversidade, a heterogeneidade das pessoas é fundamental para o desenvolvimento individual.

Na sala de aula, muitas vezes, o aluno tem receio de falar, por ter sotaque ou por medo de estar fazendo uma pergunta não pertinente – tipo de pergunta que não existe, uma vez que todo questionamento favorece o conhecimento. O professor deve estar preparado para receber essa turma tão diversificada e ajudar – principalmente esses alunos tímidos – a não terem vergonha de sua origem.

Para me auxiliar nessa tarefa, criei o Anta, um personagem que faz as perguntas que os estudantes teriam medo de expor e cria diálogos que causam reações positivas nos alunos, como fazer amizades e respeitar o próximo. O contato com a família também é imprescindível, pois ela sempre vai torcer pelo estudante e tentar ajudá-lo. Mas, é preciso tomar cuidado para que esse apoio não torne-se uma pressão a mais para o vestibulando.

Muitas vezes, os pais acham que estão ajudando, contando para o filho que se privaram de algo ou se submeteram a alguma situação difícil para que ele estudasse, e acabam colocando um fardo a mais no estudante. Outra situação recorrente é a surpresa dos pais ao descobrirem que o rendimento do filho não está sendo o esperado.

Exemplificando, o adolescente era um ótimo aluno em sua escola, na cidade em que morava, mas quando enfrenta a competição de centenas de outros estudantes com o mesmo objetivo – passar no vestibular -, acaba se saindo mal, gerando uma decepção para ele mesmo e para a família.

A família precisa entender que o ambiente mudou e o estudante ainda precisa se adaptar com sua nova realidade. Então, é importante que os pais não se decepcionem com os resultados iniciais. Não devemos deixar que o sentimento de nossas fraquezas nos faça perder a certeza das nossas forças.

Sabendo que vocação é a felicidade de exercer o ofício da paixão; siga seus sonhos, lute por suas metas e dê sempre o seu melhor. Se o melhor é possível, o bom não é suficiente.

(*) – Ex-integrante da Seleção Paulista e Brasileira de Handebol, ministra a palestra ‘Educar é Conviver’ e dá aulas no Curso Positivo há vinte anos.

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