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Promessas

em Opinião
quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Mario Enzio (*)

O que não são capazes os que querem o impossível ou intangível senão falar tudo que lhes convém para conseguirem o seu objetivo?

Quando alguma pessoa quer alguma coisa que está fora de seu alcance, pessoa que tem certo dom de passar um ar de credibilidade, esse poderá prometer algo além de suas capacidades. Isso pode ocorrer, como o já tradicional pedido de empréstimo: “- prometo que irei lhe pagar”. Se for um devedor contumaz, poderá não cumprir. Ou, daquele que recebeu mais de vinte pontos na carteira de habilitação: “- prometo que é a última vez que pratico essa contravenção”. Se considerar que ninguém estiver vendo sua manobra, esse ao que indica, também poderá descumprir.

Com isso, chega-se ao ponto de banalizar a palavra, de não se ter vergonha em se comprometer com alguém e, sem mais nem menos, assumir que nada daquilo poderia ser afirmado. Não se trata de mudar de opinião, até porque só os tolos e medíocres insistem em ser convictos de seus erros. Esses são os tipos que mesmo se dedicando a aprender porque estão equivocados não conseguem se posicionar de maneira diferente.

Pois é, indo mais ao ponto, eu tenho lido nas redes sociais e ouvido com alguma frequência a frase: que alguém prometeu algo que não cumpriu. Quando pergunto diretamente: já ocorreu de alguém lhe fazer uma promessa e não cumprir? A resposta genérica e bem contextualizada é um sonoro: “- creio que sim!” A afirmação com esse “creio” é porque as pessoas ainda acreditam que o outro pode ter cometido aquele ato sem querer, que teria sido involuntário. Ah! Santa inocência!

Para começo de conversa, há que se tentar compreender a intenção de alguém quando esse se obriga a fazer algo para outra pessoa. As coisas se complicam quando se empregam em juras de amor, laços de amizade ou em relação a alguma crença. Tenho notado que esses votos, juramentos, estão sendo quebrados com relativa facilidade nesses tempos. Entendo que algumas pessoas não conseguem sustentar sua palavra de honra.

Não seria mal que pudessem tentar frear na mente essas frases sem valor. Pois promessa é um compromisso que a pessoa assume com a outra, através da palavra, ao comprometer-se em cumprir uma determinada ação. Daí ser um compromisso de fazer ou uma obrigação de cumprir. Mas, não é assim que muitos pensam.

Um estrategista francês, Napoleão Bonaparte, dizia: “que a melhor maneira de manter a sua palavra é não dar”. Corresponderia ao estilo do não abra a boca se não tiver certeza de que pode cumprir. Acrescentaria que não fale se não tiver certeza.

Sei que isso é ainda mais difícil, pois jogar conversa fora é uma atitude social das mais rentáveis, que nos digam as revistas e os tabloides de fofocas que tratam de azucrinar ou invadir a vida alheia. Ainda assim, menos mal. A fofoca é menos prejudicial do que prometer algo que não se pode oferecer.

(*) – Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).