Erro Crasso

Mario Enzio (*)

Já se deu conta de como cometemos erros sem perceber? Ou de alguma maneira inconsciente?

Considero que existem vários dois tipos de erros: os que dão trabalho para explicar e o que nem são notados. Os desse último grupo são daqueles tipos de erros que podemos passar por cima. O típico: – Opa! Ninguém viu! Outros são aqueles erros que ficam marcados por algum tempo. São os erros cometidos que podem lhe perseguir por um bom tempo. Descrevo algumas gafes.

Cena um: o sujeito estava indo para a casa da sogra e errou o endereço. Se estiver sozinho, menos mal. Ôpa! Ninguém viu. Dá para consertar, erra-se mais ou duas ruas e chega-se ao local. Já se estiver com a filha, sua esposa, no carro, eu gostaria de saber quais foram os comentários, observações, advertências ou xingamentos.

Cena dois: o sujeito tomou todas com alguns conhecidos, nem são lá muito amigos. E esqueceu-se que havia prometido levar as compras para casa. Por conta dos excessos tem uma perda de memória temporária, e sai andando a esmo. Vaga por horas, sem conhecer onde está. Esse é outro caso que gostaria de conhecer os desdobramentos.

Cena três: sujeito está na empresa, com uma série de assuntos pendentes, mesa repleta de pastas e papéis espalhados. O chefe lhe pede um favor, que ligue para uma floricultura e peça para enviar flores a uma determinada pessoa, com um bilhete especial. Passa-lhe o endereço. Ah! O chefe é casado e a pessoa que irá receber as flores tem um assunto a resolver com o mandante. A tarde está terminando, pressão total no trabalho. Ainda dá tempo de liga para a loja de flores, faz a encomenda e dita os dizeres o bilhete. Passa o endereço da entrega. Preciso continuar escrevendo o que ocorreu? Que o endereço foi o da esposa com o bilhete para a amante!

A lista de erros comuns pode ser extensa. Por juízo falso: olhar para alguém e dizer um nome diferente. Por incorreção ou inexatidão, como uma errata que é uma lista de erros que se colocam no início de uma obra ou de um texto. Ou por um desvio de caminho, como de um incidente recente, de um casal que entrou numa rua errada numa favela e seu carro foi metralhado. Erro fatal.

Dizem que errar é humano, mas animais irracionais comentem erros? Não tenho conhecimento científico que outros seres tenham sido avaliados por terem cometido erros. Cometemos erros a todo instante, por estarmos distraídos ou estressados. Assim, falhar é coisa de desatento.

Nosso caso emblemático vem lá dos anos 59 a.C. quando o general romano Marco Licinius Crasso, que não era um militar talentoso tinha uma ideia fixa de conquistas. Conta-se que com seus 50 mil soldados, confiou demais na superioridade numérica de suas tropas. E por não ser um especialista, abandonou as táticas recomendadas e tentou atacar logo o inimigo, cortou caminho por um vale muito estreito, de pouca visibilidade.

Logo, as saídas do vale foram ocupadas pelos seus inimigos – os partos – e o exército romano foi dizimado – quase todos os 50 mil morreram, incluindo Crasso. A bobagem feita pelo General Crasso explica, em várias línguas, o sinônimo de estupidez.

(*) – Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).

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