Ele não morreu

Heródoto Barbeiro (*)

Para alguns ele é o retrato do Brasil. Ele é individualista, vagabundo e não se preocupa com nada. Está acima da moral e da lei e é inalcançável pelos seus inimigos.

Ora se comporta como um super herói, ora como um monstro da mitologia grega. É vaidoso, não despreza os bons hotéis, resorts de final de semana, chalanas de endinheirados empresários, viagens para o exterior em classe executiva, no mínimo. É capaz de mentir com a maior desfaçatez e consegue convencer todos que o conhecem com suas histórias inverossímeis. Sabe prometer como ninguém. Também não sustenta o que prometeu como ninguém.

Não tem partido, nem opinião própria sobre assuntos importantes para sua família, ou sociedade ou seu pais. É chegado em sexo, e não respeita nem mesmo a mulher do irmão. Enfim, é o herói sem caráter como definiu o seu criador Mário de Andrade. O Macunaíma não morreu. Tomou outras formas. Encontrou terreno fértil no campo político do pais onde se alimenta, rejuvenesce e salta de um corpo de político para outro, como um vampiro, mas está sempre vivo.

Nunca está contra o governo, seja ele qual for. Não interessa bater de frente com os poderosos de plantão e perder tudo de bom que poder proporcionar como cargos, intermediações de todo tipo, prestígio e oportunidade de conviver com a elite, ainda que tenha tido uma origem humilde, nasceu lá meio do mato. Não importa o que aconteça, sempre tem um sorriso plastificado, agora muito mais útil com o advento das mídias sociais. Não pode permitir que quem quer que seja imagine o que sente por dentro.

Por fora deve aparentar sempre um vencedor, alguém que conseguiu através do voto democrático e soberano chegar onde chegou. É também inamovível. Nenhuma comissão de ética o assusta. Conhece a todos, faz parte do grupo e eles estão lá um para safar o outro. O público que ama Macunaíma hoje, é o mesmo que o idolatrava em 1928. Atualizado. Adora suas traquinagens, seus truques e como consegue enganar a todos ao mesmo tempo. Desbancou Lincoln.

Quando se pensa que vai ser alijado do mundo político, não desanima e dá a volta por cima. Ataca seus adversários com crueldade. Contrata os melhores marqueteiros capazes de criar as frases que o povo gosta de ver em sua boca. Desdenha de operações que prometem punir quem nunca foi punido, o corrupto. Seus seguidores o tem como uma entidade, afinal foi capaz de vencer, entre outros monstros, o gigante Piaimã, o Supremo Tribunal e a mídia elitista e mentirosa.

Jamais praticou os atos que lhe são atribuídos. Tudo o que recebeu das empreiteiras foi legal e está escriturado nos livros das estrelas, uma delas é Ci a Mãe do Mato.

Heródoto Barbeiro é ãncora do Jornal da Record News e do Blog do Barbeiro no R7 ([email protected])

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