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Clubes brasileiros e o impacto nas finanças em ano de Olimpíadas

em Opinião
quarta-feira, 22 de junho de 2016

Carlos Aragaki (*)

Os tempos mudaram desde o futebol técnico da seleção brasileira de 1982.

Apesar do título de Tetracampeão da seleção de Parreira nos pênaltis (1994) e da seleção de Ronaldo o fenômeno (2002) que conquistou o Penta, os torcedores brasileiros têm em primeiro lugar atualmente o seu clube e em segundo lugar a seleção brasileira. Tal distanciamento aumentou significativamente com a venda dos direitos de amistosos da seleção brasileira no período de 2011 até 2022, o que afasta a seleção canarinho da sua torcida, visto que jogos são realizados fora do País. Além disso, culminando com a derrota fatídica contra a Alemanha no Maracanã por 7 x1.

A maior preocupação hoje de muitos torcedores de clubes, em termos de convocação, tem sido a ausência dos seus atletas principais em jogos importantes dos campeonatos brasileiro e da Copa do Brasil, que levam os clubes a cobiçada taça Libertadores da América e Mundial de clubes. Nas finanças não está sendo diferente e os clubes também sentem demais.

. Bilheterias: Clubes com arenas e torcidas cativas não sentirão os desfalques dos seus principais atletas nas olimpíadas o que continuará garantindo as grandes rendas e receitas. São os casos de Corinthians, Palmeiras, Santa Cruz e Grêmio, por exemplo quem têm mantido boa média de público na primeira e segunda rodadas do brasileiro. Já clubes como o Santos, por exemplo, certamente ficará fragilizado nos campeonatos e, se for eliminado de um deles (Copa do Brasil), tende a perder receita com a desmotivação do torcedor, e isso turbinado pelas janelas de vendas de jogadores para o exterior.

. Patrocínio: Já é notório há vários anos a dificuldade dos clubes em obter Patrocínio Master, muitos deles hoje com patrocínio Estatal. Nesse ano de Olimpíadas os patrocinadores não devem focar em clubes que podem ser desfalcados nas suas competições, devido aos grandes eventos da seleção por conta das convocações.

. Venda de jogadores: A venda de jogadores aparentemente seria apenas uma geração de receita para os clubes, pois a convocação coloca os atletas em uma grande vitrine mundial. Todavia os tempos mudaram, pois, a Europa não tem sido o principal destino recente de jogadores, mas sim a China e, atualmente muitos clubes detêm um percentual de direitos muito baixo de seus atletas. Dessa forma, mesmo que negociando os jogadores por altos valores a receita desses clubes com baixo percentual de direitos econômicos acaba por tornar essa vitrine da seleção uma grande ameaça aos seus plantéis. Assim, a saída das “estrelas” locais afetarão novamente: bilheteria/patrocínios.

. Arenas: Outro sofrimento para clubes será a cessão de suas arenas para as Olimpíadas, visto que os estádios alternativos não possuem as mesmas capacidade de público das arenas. Isso ocorrerá em São Paulo, com a Arena do Corinthians, na Bahia, com a Fonte Nova, e em outras cidades. Em alguns casos, além da receita de bilheteria se perderá receita com venda de produtos, e ainda pode ocorrer casos de renegociação de patrocinadores dessas arenas por perderem, eventualmente, a possibilidade de aparecerem nos estádios durante os jogos olímpicos.

Neste cenário, os clubes cariocas serão muito afetados nas suas receitas, pois além da perda de receita no Maracanã se veem obrigados a reformar pequenos estádios como o Luso Brasileiro da Portuguesa, Giulitte Coutinho do América, ou seja, custo de reforma e, adicionalmente baixa possibilidade de público. Volta Redonda também é muito distante e não atrai o público.

Se o interesse pela seleção brasileira já ficou baixo pelos fatores citados, a irritação dos torcedores e dos clubes só devem aumentar. Sem contar com o novo fator que começa incomodar a todos, que são os novos torcedores de clubes do exterior no Brasil, como: Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munich. Nesse caso, receita à vista! Mas somente para os clubes do exterior.

De fato, as “arenas” estão lotando no Brasil, digo Cinemas, para se assistir as finais da Champions League.

(*) – É sócio da Auditoria Especialista em clubes de futebol Grant Thornton Auditores Independentes.