Antecipação de Recebíveis: preconceito, vantagens e riscos

Bruno Maggi (*)

Apesar de ser uma operação estratégica financeira para a gestão de capital de giro de uma empresa, a antecipação de recebíveis muitas vezes é vista com maus olhos por gestores financeiros.

Trata-se de um instrumento que possibilita às empresas anteciparem o recebimento de duplicatas e cheques pré-datados. Possui taxas muito inferiores que a de modalidades de crédito como cheque especial e cartão de crédito e possibilita que os recursos estejam disponíveis em poucos dias. Ainda assim, é preterido por conta do estigma de que antecipar receitas e arcar com os custos de taxas de desconto é o mesmo que deixar de lucrar.

Muitos gestores preferem entrar em um empréstimo ou financiamento por não conhecerem a modalidade. Dessa forma, arcam com custos que, além dos juros, embutem o risco de uma possível inadimplência. Já no factoring, são usados os recursos da empresa. Para isso, paga-se uma taxa para antecipar o recebimento do título, sem que contraia dívida ou se exponha o relacionamento com instituições financeiras.

Essa dinâmica pode servir como uma ferramenta de aceleração financeira para capital de giro. A rapidez da operação possibilita otimizar recursos, diminuir o percentual de endividamento e até obter vantagens significativas na negociação com fornecedores, por meio da antecipação de pagamentos. Esse tipo de negociação entre prestador e contratante torna possível uma porcentagem de desconto que pode chegar a até 10%, de modo geral. Com a antecipação de recebíveis em taxas que variam de 1,7% a 5%, a empresa ganha na diferença, o que possibilita manter as contas em dias e o fluxo de caixa saudável.

Outra vantagem é que se reduz a exposição à inadimplência de clientes. Instituições financeiras que realizam antecipação de recebíveis eliminam o risco futuro do pagamento por serviços ou produtos, já que repassam os recursos antes que as duplicatas ou cheques sejam descontados. Se um comprador fecha seu negócio por algum motivo, a instituição financeira não é paga, enquanto que o fornecedor que realizou a antecipação já recebeu o recurso. Em casos como esse, o factoring serve como uma ferramenta para assegurar fundos de empresas.

Essas vantagens da antecipação de recebíveis ainda são ignoradas por muitos empresários. Para a obtenção de recursos de curto prazo, como capital de giro, é mais popular o uso de mecanismos como cartão de crédito e cheque especial, que têm juros de 41% a 216,7% ao ano, respectivamente, segundo dados do Banco Central.

Apesar de suas vantagens, o uso factoring demanda atenção do administrador. As taxas são mais atrativas do que as praticadas em instrumentos tradicionais de crédito, mas diferem significativamente no mercado. Um levantamento realizado pela Intoo com base em dados do Banco Central mostrou que as despesas variam até 3.600% de acordo com a instituição financeira.

Ao mesmo tempo, é preciso ter em mente que para determinar quanto e quando antecipar, deve-se ter uma projeção clara dos fluxos de caixa, a fim de evitar que a empresa fique no vermelho no futuro. A antecipação de recebíveis não pode ser algo recorrente. Salvar os negócios hoje não pode implicar no sacrifício do negócio no futuro. Muitas empresas cometeram esse erro ao deixarem-se seduzir pelas taxas atrativas da antecipação de recebíveis sem se aterem ao planejamento.

O fim que tiveram gerou parte o preconceito atual. Mas, quando usado de forma planejada, o factoring é uma alternativa vantajosa para se obter fundos sem comprometer o caixa no longo prazo, e sem aumentar o endividamento.

(*) – É sócio e co-fundador da INTOO e seu atual diretor financeiro e jurídico.

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