A independência do Brasil e a sustentabilidade

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Nos séculos passados havia o conceito de que as colônias, regiões descobertas ou conquistadas, eram para ser usadas pelos conquistadores.

Toda a riqueza produzida ou extraída como ouro, pedras preciosas e tudo mais era encaminhado para fora, enquanto que nessas colônias se vivia parcamente, sem recursos e com sistema escravocrata de trabalho. Foi o que aconteceu no Brasil. Os nascidos aqui queriam os mesmos direitos que os povos livres têm, até que um grupo, com o ideal de construir uma nação livre e independente, conseguiu, no ano de 1822, a independência política.

Mas o processo de construção do país tem seguido em função de falcatruas e interesses particulares, pois com as fragilidades na economia e na educação, herdadas do tempo em que éramos colônia e que nos manteve na dependência dos empréstimos e seus resgates, a nação permaneceu estagnada. A ausência de seriedade na condução do país tem sido um desastre, e as finanças geridas com displicência geral em Brasília, nos Estados e municípios.

Ainda não alcançamos a real transformação de colônia em nação forte e independente, respeitada pelas outras, pois faltam estadistas sérios e bom preparo das novas gerações. “O Brasil está há mais de 20 anos atrasado em relação a países vizinhos como o Chile em termos de escolarização. O caminho a ser recuperado é longo, mas possível”, defendeu Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda.

Mas o atraso é ainda maior, pois caminhamos para o apagão mental devido ao baixo nível das escolas, dos filmes e programação das TVs, e do uso constante de jogos eletrônicos. Ao final do curso médio, menos de 30% dos estudantes dominam a leitura. Além de haver um déficit de professores, faltam motivação e recompensa adequada para essa importantíssima função para assegurar um futuro melhor.

Os governantes raramente se pautaram pela eficiente e equilibrada utilização dos recursos para o bem geral. O lamentável nessa historia é a situação do país, empurrado para a beira do abismo pela luta pelo poder. Não sabemos o que está rolando por trás disso tudo, mas se percebe que o que menos preocupa é a melhora do país e sua população. Pessoas sem brios, sem espírito de estadistas, que não se esforçam pelo bem geral, não poderiam ser aceitas como candidatas.

Estamos diante de toda a ferocidade da economia globalizada, uns detonando os outros, quando deveriam se esforçar para que houvesse equilíbrio geral na produção, comercialização e consumo. Do jeito que vai, não tardarão a surgir catástrofes econômicas que poderiam ser evitadas se existisse mais consideração entre os povos.

Atualmente o dólar rege a economia global, feito não alcançado por outras moedas como o yen e o euro. O yuan é a moeda da China que tem reservas de quatro trilhões em títulos americanos, mas aonde colocaria tantos dólares? Poucos países têm a habilidade americana de lidar com o mundo financeiro, pois nem a sua elevada dívida influencia o mercado. No entanto, a grande incógnita são os agentes especuladores que se julgam donos do mundo, que de um momento para outro podem derrubar o castelo de cartas, o que quase aconteceu em 2008 e que trouxe fortes consequências na miséria global. A turbulência das finanças detona o humanismo e a autonomia dos povos.

Qual o caminho que o Brasil deveria seguir para sair do marasmo e alcançar a governabilidade e a sustentabilidade no cenário conturbado de estagnação econômica e da trajetória de crescimento da dívida pública? Como se tornar o país sonhado da liberdade, progresso e consideração?

(*) – Graduado pela FEA/USP, realiza palestras sobre qualidade de vida. Coordena os sites (www.vidaeaprendizado.com.br) e (www.libra
www.libra ry.com.br). Autor de: Conversando com o homem sábio; Nola – o manuscrito que abalou o mundo; O segredo de Darwin; 2012…e depois?; e Desenvolvimento Humano ([email protected]).

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