14 views 7 mins

Movimentação recorde nos portos amplia desafios operacionais e acelera adoção de tecnologias inteligentes

em Negócios
quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Crescimento da atividade portuária e aumento da complexidade logística impulsionam investimentos em soluções integradas para segurança, monitoramento e gestão operacional

Os portos brasileiros vivem um momento de expansão sem precedentes. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o setor aquaviário movimentou 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025, um crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior e o maior volume já registrado na série histórica. Apenas os portos públicos responderam por 497 milhões de toneladas, enquanto o Porto de Santos manteve a liderança nacional, com 142,8 milhões de toneladas movimentadas no período.

Ao mesmo tempo em que esse crescimento reforça a importância dos portos para a economia brasileira, ele também amplia os desafios relacionados à segurança, ao controle operacional e à rastreabilidade das operações. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 aponta que a infraestrutura logística do país transformou o Brasil em um importante hub do tráfico internacional de drogas. O relatório destaca que a chamada Rota Caipira, principal corredor utilizado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), tem como principais destinos os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), de onde a cocaína segue por vias marítimas para a Europa, África e Ásia. Nesse contexto, cresce a necessidade de tecnologias capazes de integrar monitoramento, inteligência e gestão em tempo real para proteger infraestruturas consideradas críticas.

Para Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia do Grupo Pumatronix, esse novo contexto exige uma mudança na forma como os terminais portuários são gerenciados. “Os portos deixaram de precisar apenas de equipamentos de monitoramento. Hoje, a operação exige um ecossistema integrado de tecnologias capaz de conectar controle de acesso, videomonitoramento, inteligência artificial, monitoramento ambiental e análise de dados em tempo real. É essa integração que permite aumentar a segurança sem comprometer a eficiência operacional.”

Segundo o executivo, um dos principais desafios está no controle dos acessos. Com centenas ou milhares de veículos circulando diariamente, processos manuais tornam-se insuficientes para garantir rastreabilidade e agilidade. Para atender esse cenário, o Grupo Pumatronix desenvolveu soluções de controle inteligente de acesso que realizam automaticamente a leitura de placas, a identificação de contêineres conforme a norma ISO 6346, o reconhecimento facial de motoristas e a integração com bases de dados operacionais, permitindo validar acessos, identificar inconsistências e registrar toda a movimentação de pessoas, veículos e cargas.

Outra frente de atuação do grupo está no monitoramento inteligente das áreas operacionais. Por meio de câmeras equipadas com inteligência artificial, as soluções conseguem identificar veículos parados em locais inadequados, obstáculos nas vias internas, movimentações suspeitas, pessoas em áreas restritas e outras situações capazes de comprometer tanto a segurança quanto a produtividade do terminal. O processamento das informações ocorre em tempo real, permitindo respostas mais rápidas por parte das equipes responsáveis e ampliando a capacidade de prevenção de incidentes.

No transporte de cargas, o Grupo Pumatronix também atua, por meio da WimRadar, com soluções de High Speed Weigh-in-Motion (HS-WIM), tecnologia que permite identificar caminhões com excesso de peso sem necessidade de parada. Além de apoiar a fiscalização, o sistema contribui para preservar o pavimento interno dos terminais, reduzir custos de manutenção, aumentar a vida útil da infraestrutura e garantir maior conformidade operacional durante a circulação de veículos pesados.

A segurança das cargas perigosas representa outro ponto de atenção crescente. Nesse contexto, as soluções desenvolvidas pelo Grupo Pumatronix combinam câmeras térmicas, inteligência artificial e integração com sistemas de autorização para identificar aquecimentos anormais em veículos e contêineres, verificar automaticamente permissões para transporte de produtos perigosos e gerar alertas antes mesmo da entrada no terminal, aumentando a capacidade preventiva das operações.

Além da segurança patrimonial, fatores ambientais também influenciam diretamente a eficiência portuária. Por meio da Plugfield, empresa do Grupo Pumatronix, estações meteorológicas inteligentes monitoram continuamente variáveis como velocidade do vento, chuva, temperatura e umidade, fornecendo informações que auxiliam na tomada de decisão sobre operações de atracação, movimentação de guindastes, içamento de cargas e demais atividades sensíveis às condições climáticas.

Outro diferencial do ecossistema desenvolvido pelo grupo está na capacidade de reconstruir eventos e apoiar investigações. As plataformas de busca forense da Pumatronix permitem localizar rapidamente imagens e registros a partir da placa de um veículo, contêiner ou período específico, cruzando informações de controle de acesso, videomonitoramento e pesagem para reconstituir toda a movimentação realizada dentro do terminal.

O Grupo Pumatronix reúne essas tecnologias em um ecossistema integrado voltado à infraestrutura crítica. O portfólio contempla soluções para controle inteligente de acesso, leitura automática de placas e contêineres, videomonitoramento com inteligência artificial, pesagem dinâmica em alta velocidade (HS-WIM), monitoramento climático, busca forense de eventos e gestão integrada das operações, permitindo que diferentes sistemas compartilhem informações em um único ambiente operacional.

Para Krzyzanovski, a tendência é que os portos avancem para um modelo cada vez mais baseado em dados. “A infraestrutura portuária caminha para operar com dados integrados . Quando conectamos diferentes tecnologias em uma única plataforma, deixamos de reagir aos problemas e passamos a antecipá-los. Isso significa operações mais seguras, mais eficientes e com maior capacidade de apoiar decisões estratégicas em tempo real”, conclui.