
Márcio Massani (*)
Entre janeiro e novembro de 2025, foram vendidas mais de 1,26 milhão de cotas de consórcio imobiliário no Brasil, um crescimento de 36% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (ABAC). Os números evidenciam não apenas o bom desempenho do setor, mas também uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro em relação ao crédito, fator que tem impulsionado a atual tendência do mercado.
Para 2026, a ABAC estima que o consórcio imobiliário deve crescer mais de 25% ao longo do ano, superando a média de 21% observada nos últimos seis anos. Esse avanço é impulsionado e sustentado pela diversificação no perfil dos consumidores, que passaram a enxergar o consórcio como uma alternativa estratégica de aquisição de bens, e não apenas como uma solução pontual.
Diante desse consistente crescimento, a consórcio imobiliário deixou de ser associado a um público específico e passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante no mercado brasileiro, consolidando-se como uma forma planejada, consciente e acessível de obtenção de crédito.
Expandindo e diversificando consumidores
O levantamento da ABAC referente a 2025 revela que, além do aumento de cotas, o número de participantes ativos em consórcios imobiliários também cresceu significativamente. Em novembro do ano passado, foram registrados 2,83 milhões consorciados ativos, aguardando o crédito para a aquisição do imóvel próprio, um aumento de 34,8% em relação ao mesmo mês de 2024.
Parte dessa expansão pode ser atribuída ao cenário de juros elevados, que torna a modalidade mais atrativa em comparação com outras categorias de crédito. No entanto, mesmo com a perspectiva de redução da taxa Selic em 2026, a previsão de crescimento do setor não está condicionada exclusivamente a esse fator.
Cada vez mais os jovens, empreendedores e investidores têm optado pelo consórcio devido às vantagens específicas da modalidade, como previsibilidade no longo prazo, menores impactos de reajuste nas parcelas e a flexibilidade na utilização do crédito. Esse movimento reforça o amadurecimento do consórcio como uma alternativa sólida de planejamento financeiro, alinhada a um contexto econômico que exige decisões mais conscientes e sustentáveis.
Planejamento financeiro: o ponto de virada na tendência
O aumento da presença do consórcio imobiliário está diretamente relacionado à crescente valorização do planejamento financeiro por parte dos brasileiros. De acordo com a pesquisa “O planejamento financeiro do brasileiro: da consciência à prática”, realizada pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro em parceria com o DataFolha, 59% dos brasileiros se consideram razoavelmente bem planejados, enquanto 56% afirmam se preocupar em deixar bens para seus herdeiros.
Ao mesmo tempo, o estudo evidencia desafios importantes, pois 43% da população ainda não possui reserva financeira para emergências. Apesar disso, os dados mostram um esforço crescente para organizar as próprias finanças, ampliar o patrimônio e tomar decisões mais estruturadas no médio e longo prazo.
Nesse novo cenário econômico e comportamental, o sistema de consórcios tem se destacado como uma solução de acesso ao crédito mais estável e previsível diante das oscilações do mercado financeiro tradicional. E nesse contexto, o consórcio imobiliário consolida-se como um mecanismo estruturado de formação patrimonial, alinhado às demandas de uma geração mais cautelosa, atenta ao endividamento responsável e comprometida com a aquisição de bens de forma sustentável.
(*) Diretor Executivo Comercial na Âncora Consórcios uma das maiores administradoras independentes de consórcios do Brasil.
