Especialista em gestão e fundador do Grupo Acelerador defende que descanso prolongado não é privilégio, mas consequência de estrutura sólida, liderança distribuída e lucros consistentes
No mês de julho, enquanto milhões de brasileiros ajustam suas rotinas por conta das férias escolares, a maioria dos donos de pequenas e médias empresas continua imersa nas operações diárias. Para Marcus Marques, CEO do Grupo Acelerador e referência nacional em aceleração de PMEs, a dificuldade de se afastar do próprio negócio não está apenas na falta de tempo, mas na ausência de uma estrutura capaz de funcionar sem o comando direto do proprietário.“O descanso do dono é um indicador de saúde do negócio. Quando a empresa depende 100% do empresário, algo está errado”, afirma Marques.
Com mais de 20 anos de experiência à frente de negócios e mentorias que já impactaram mais de 250 mil empresários, ele reforça que tirar 15, 30 ou até 60 dias de férias não é um privilégio inalcançável é uma conquista estratégica. “Quanto mais lucro você gera, mais direito de liberdade você tem”, diz.
O tema se torna ainda mais relevante nesta época do ano, em que muitos empresários se veem diante do dilema entre aproveitar o período de recesso escolar ou manter-se à frente da operação. Segundo Marques, o problema é estrutural. “O empresário brasileiro raramente tira férias. Vive apagando incêndio, acumulando funções e sendo gargalo da própria empresa. Mas isso é um padrão que pode e deve ser quebrado”, aponta.
Para que seja possível o afastamento prolongado, é necessário que a empresa tenha três pilares funcionando de forma sincronizada: previsibilidade de lucro, liderança distribuída e cultura de autogestão. “Não existe fórmula mágica. Você só consegue sair da rotina quando há um sistema funcionando em seu lugar”, afirma.
Segundo a metodologia do Grupo Acelerador, é essencial que os três níveis de liderança, estratégico, tático e operacional, estejam mapeados e bem ocupados. “Se o dono está no começo da jornada, mal fazendo caixa, não faz sentido se afastar por 60 dias. Ele vai quebrar. Mas se a empresa é sólida, com lucro acima de R$10 milhões por ano, com processos, pessoas certas e cultura forte, por que não?”, questiona Marques.
Casos reais da comunidade Giants, liderada por ele e formada por mais de 800 empresários de alto valor, mostram que o afastamento é possível. “Temos empresários que hoje viajam por semanas, tiram um mês sabático, passam férias com a família, sem que os resultados sofram. O segredo não é estar ausente, mas está substituído por um sistema que funciona”, explica.
Para isso, é preciso preparar o time. Delegar, treinar e criar um ambiente onde decisões possam ser tomadas com clareza, mesmo sem o olhar constante do dono. “Autonomia não nasce do nada. Ela vem da segurança gerada por processos claros, metas bem definidas e líderes preparados”, afirma o especialista.
Marques recomenda que, mesmo em estágios avançados de maturidade empresarial, as férias sejam inicialmente “picotadas”, ou seja, divididas em períodos menores ao longo do ano. “É uma forma de testar a autonomia da equipe e garantir que a operação continue fluindo. Mas, mais importante do que o tempo de descanso, é o que o empresário constrói para merecê-lo. Liberdade é colheita. Antes dela vem o plantio: estrutura, lucro e gestão”, conclui.

