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61,6% dos donos de salões acumulam funções de gestão

em Negócios
sexta-feira, 22 de maio de 2026

Pesquisa feita pela Trinks com 1.338 donos de salões de beleza, barbearias e outros estabelecimentos do setor revela sobrecarga estrutural e aponta ponto crítico de crescimento em negócios com até quatro profissionais

O setor de beleza no Brasil é formado majoritariamente por empreendedores que acumulam funções e enfrentam desafios estruturais para crescer. É o que revela uma pesquisa da Trinks, plataforma de gestão para negócios de beleza, realizada com 1.338 donos de salões, barbearias e outros estabelecimentos do setor de todo o Brasil.

Segundo o levantamento, 61,6% dos proprietários operam em modelo multitarefa, sendo responsáveis simultaneamente pelo atendimento aos clientes e pela gestão do negócio, incluindo agenda, fluxo de caixa, equipe e processos internos. O dado evidencia um padrão predominante no setor: o do empreendedor-operador, que sustenta a operação ao mesmo tempo em que tenta estruturar o crescimento.

A pesquisa também mostra que a base do setor é composta por negócios de pequeno porte e estrutura enxuta. 43,8% dos empreendedores trabalham sozinhos, enquanto 24,5% atuam com apenas mais um profissional. Outros 19,8% possuem equipes de três a quatro pessoas, estágio associado ao potencial de crescimento. Acima desse nível, 12% dos negócios contam com cinco ou mais profissionais.

Esse cenário reforça a dificuldade de escala e organização, já que a maior parte dos negócios ainda opera com baixa divisão de funções. “O que vemos é um setor altamente produtivo, mas com baixa capacidade de delegação. O empreendedor precisa executar e gerenciar ao mesmo tempo, o que limita o crescimento”, afirma Marcel Gewerc, CEO da Trinks.

Setor combina experiência com alta renovação
O levantamento também revela um mercado heterogêneo em termos de maturidade. 25% dos negócios têm mais de dez anos de operação, enquanto 20,9% estão em estágio inicial, com menos de um ano. A convivência entre empresas consolidadas e novos entrantes indica um setor dinâmico, mas que mantém desafios estruturais ao longo do tempo.

Mesmo entre empreendedores mais experientes, a sobrecarga operacional permanece como um entrave relevante. “O tempo de mercado não elimina o acúmulo de funções. Ele apenas muda o tipo de desafio enfrentado pelo empreendedor, que passa a lidar com uma operação mais complexa”, explica Marcel.

Crescimento esbarra na estrutura enxuta
A principal dificuldade para crescer não está na demanda, mas na organização do negócio. Com equipes pequenas, os empreendedores acumulam funções e têm pouca margem para estruturar processos ou planejar a expansão. Esse desafio fica mais evidente quando o negócio chega a três ou quatro profissionais (19,8%), momento em que deixa de ser apenas operacional e passa a exigir gestão.

É nesse estágio que surgem demandas como:
• organização de processos
• definição de papéis
• gestão de equipe
• planejamento de crescimento

Experiência do cliente já é prioridade
Apesar das limitações operacionais, o setor demonstra preocupação com o atendimento. A pesquisa mostra que 79,4% dos estabelecimentos têm o próprio dono como responsável pela recepção. Em 19% dos casos, há um recepcionista, enquanto menos de 1,6% contam com um gerente responsável por essa função.

Profissionalização da gestão é próximo passo
Para a Trinks, os resultados indicam que o setor de beleza brasileiro vive uma transição da operação individual para a gestão estruturada. Se antes o desafio principal era atrair clientes, hoje o crescimento está diretamente ligado à capacidade de organizar o negócio. “O próximo salto do setor não depende apenas de demanda, mas de estrutura. O empreendedor precisa deixar de centralizar tudo para conseguir crescer de forma sustentável”, conclui Marcel.

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