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Queda da Selic: o momento para o varejo iniciar seu crediário próprio?

em Mercado
segunda-feira, 20 de maio de 2024

Ronaldo Oliveira (*)

No fim de março, o Banco Central (BC) divulgou mais um corte na taxa básica de juros, deixando a Selic nos 10,75% ao ano e dando sequência a um ciclo de redução que começou em agosto de 2023. Para maio, ainda há a expectativa de que o Copom, órgão do BC, promova mais um corte de 0,5% da taxa percentual.

Com esse movimento, é esperado que reflexos econômicos avancem sobre setores importantes. O varejo está fortemente inserido nesse contexto, podendo explorar um momento de retomada de crédito e novas oportunidades.

Quando a Selic é alta, por exemplo, é muito atrativo para o investidor deixar seu capital em aplicações com menos riscos, como o Tesouro Direto e o CDB de banco. Considerando essa expectativa de queda contínua na taxa, é mais interessante para as empresas pensarem no financiamento de seu ecossistema visando o retorno financeiro.

Inclusive, grandes empresas – ou grandes varejistas, possuem um ecossistema rico de oportunidades de crédito, com condições de financiar o próprio crediário e ofertar crédito pessoal. Organizações maiores podem financiar fornecedores com antecipação, e os colaboradores com o consignado.

O ‘meio-campo’ para a bancarização está posto – Sob o controle da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as estruturas do mercado de securitização têm sofrido atualizações importantes. Securitização, por sinal, que possibilita que empresas de segmentos diferentes otimizem suas operações de crédito, impulsionando a liquidez e diversificando as fontes de recursos. No fim do ano passado, para termos como parâmetro, a CVM modificou a Resolução CVM 60.

Fato é que, hoje, está muito mais fácil para as empresas se bancarizarem, ou seja, criarem suas próprias operações de financiamento, o que entendemos por braços financeiros. Assumir o controle e iniciar seu crediário, dentro desse contexto de taxas de juros reduzidas e um olhar otimista para o restante do ano, para o varejo, pode ser uma ótima abertura para trabalhar condições mais atrativas e trazer análises mais condizentes com os clientes.

O impacto também abarca ganhos financeiros à empresa, visto que em ecossistemas tradicionais, a geração de receita acaba ficando com a instituição responsável. Com a bancarização, é possível destravar essa e outras fontes de receita, contribuindo para a competitividade do negócio.

Claro, tanto a etapa de securitização, quanto o processo inteiro de bancarização, demandam conhecimento técnico e tecnologia especializada, de modo a lidar com a complexidade que essa transformação costuma demonstrar. Nesse sentido, empresas de tecnologia podem entregar soluções prontas para uso, passando desde a plataforma de originação da oportunidade até o veículo de funding da operação.

Com a queda da Selic, a retomada do crédito e esse padrão de novas regulamentações financeiras, o mercado varejista é, sim, um dos setores capazes de promover uma mudança radical nas operações de crédito, estabelecendo uma régua muito maior para os serviços financeiros ofertados e, até mesmo, seus produtos e serviços tradicionais.

Para resumir: com a bancarização, o varejo terá todas as condições de unir seu conhecimento distinto sobre os clientes e a urgência por novas receitas para construir, na prática, uma era inovadora de oferta e estruturação de crédito.

(*) – É Founder e CEO da Giro.Tech (https://giro.tech/).