Mudanças no sistema tributário e carga fiscal elevada aumentam a pressão sobre empresários que ainda operam sem estratégia tributária estruturada
Dados divulgados pelo Tesouro Nacional em abril de 2026 mostram que a carga tributária bruta do governo geral atingiu 32,40% do PIB em 2025, acima dos 32,32% registrados no ano anterior. Ao mesmo tempo, a regulamentação da reforma tributária impôs uma nova dinâmica de adaptação fiscal às empresas, tornando o planejamento tributário um tema cada vez mais estratégico para a sustentabilidade dos negócios.
Fabinho Nascimento, especialista em planejamento empresarial, contador e CEO do Grupo FN, afirma que muitas empresas ainda tratam a tributação de forma reativa, sem revisões periódicas capazes de identificar distorções que afetam diretamente a rentabilidade. “O empresário muitas vezes enxerga o imposto como um custo fixo inevitável, quando parte desse impacto vem de escolhas equivocadas ou da falta de revisão da estrutura tributária. O planejamento tributário deixou de ser uma ferramenta complementar e passou a interferir diretamente na saúde financeira da empresa.”
A sanção da Lei Complementar 214/2025, que regulamenta a reforma tributária sobre o consumo, elevou a urgência desse debate no ambiente empresarial. A transição para o novo modelo tributário exigirá adaptação gradual, mas especialistas alertam que decisões tomadas desde já podem influenciar na precificação, aproveitamento de créditos, estrutura operacional e competitividade nos próximos anos.
Segundo Fabinho, o erro de parte dos empresários está em tratar a mudança como uma preocupação exclusivamente contábil. “Muita gente ainda acredita que a reforma tributária será um ajuste técnico conduzido internamente pela contabilidade, mas o impacto é empresarial. Isso influencia desde a formação de preço até decisões de expansão, contratação e organização financeira.”
Quatro medidas para evitar desperdícios tributários
Na prática, a ausência de planejamento tributário nem sempre se manifesta como crise imediata, mas como perda gradual de margem e eficiência operacional.
Fabinho afirma que esse tipo de distorção é mais comum do que muitos empresários imaginam e aponta algumas medidas preventivas:
- Revisar periodicamente o enquadramento tributário para garantir que a estrutura fiscal continue compatível com o porte, faturamento e modelo operacional da empresa
- Considerar o impacto tributário na formação de preços, evitando distorções que corroem margem de lucro sem percepção imediata
- Integrar contabilidade, financeiro e área comercial para que decisões estratégicas não sejam tomadas de forma isolada, sem análise dos reflexos fiscais
- Adotar acompanhamento preventivo da estrutura tributária, em vez de agir apenas quando surgem problemas de caixa ou passivos fiscais
Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, divulgada em 2025 e repercutida pela CNN Brasil, mostra que 70% dos empresários apontam a elevada carga tributária como o principal componente do chamado Custo Brasil, reforçando o peso da gestão fiscal sobre competitividade e rentabilidade.
Planejamento tributário passa a influenciar decisões de crescimento
Mais do que uma ferramenta de conformidade fiscal, o planejamento tributário passou a integrar decisões estratégicas dentro das empresas.
Expansão geográfica, reorganização societária, contratações, precificação e preservação de margem dependem cada vez mais de leitura fiscal estruturada. “Empresas que crescem com previsibilidade entendem cedo que tributação não é apenas obrigação operacional. Quando essa gestão falha, o crescimento vem acompanhado de ineficiência, perda de competitividade e pressão desnecessária sobre o caixa”, afirma.
O planejamento tributário nas estratégias corporativas – Jornal Empresas & Negócios
