Mulheres consultoras: o equilíbrio profissional e pessoal

Letícia Araújo (*)

Ser responsável por funções administrativas de extrema importância para o desempenho de um negócio. Ainda, cuidar de seus lares, família e deveres domésticos. Assumir cada um desses papéis não é algo fácil – muito menos, em conjunto.

A escolha entre a carreira e a vida pessoal foi um dilema comum para muitas mulheres. Mas, hoje, graças aos avanços tecnológicos, desempenhar estas funções simultaneamente e, com a mesma qualidade é mais que possível – inclusive, por meio do empreendedorismo na área de consultoria. A participação feminina no mercado de trabalho vem sendo severamente impactada, principalmente durante a pandemia.

Em um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), este percentual ficou em 45,8% no terceiro trimestre de 2020, o nível mais baixo desde 1990. Dentre os diversos motivos influenciadores desse dano, a maior dificuldade em conciliar a produtividade no trabalho com as responsabilidades domésticas se agravou consideravelmente durante o isolamento social.

Estar 100% presente nessas atividades e, a todo momento, é extremamente difícil – mas, não é mais motivo para que as mulheres desistam de um dos lados. Os avanços tecnológicos no mercado de trabalho abriram um leque enorme de possibilidades operacionais, que podem ser desempenhadas remotamente e, com a mesma qualidade de maneira equilibrada. Ainda, quando alinhadas ao desenvolvimento de softwares de gestão, permitem um acompanhamento e controle mais assertivo sobre as tarefas, sem prejuízos no final.

Mesmo em um cenário adverso, a participação feminina no mercado de tecnologia cresceu significativamente nos últimos cinco anos. Segundo dados divulgados pelo Caged, sua presença aumentou em 60%, passando de 27,9 mil mulheres para 44,5 mil em 2020. As oportunidades que podem encontrar no setor como consultoras são vastas e, não há exemplo mais clássico dessa amplitude do que os cargos de gerenciamento de redes sociais.

Com a digitalização do mundo corporativo, o que não faltam são recursos que facilitem o gerenciamento de tais plataformas, abrangendo as oportunidades de prestação de serviços com metodologias diversas de marketing e atendimento ao consumidor. No quesito prático, hoje não há mais a necessidade de ter uma equipe completa interna, mas sim, a possibilidade de formar redes colaborativas de trabalho – com uma maior flexibilidade para contratação de profissionais externos, operando em conjunto para a entrega de determinado serviço.

Prova disso, é o segmento de consultoria com foco em RH e marketing, intensamente impactado durante a pandemia pelas novas formas de gerenciar um negócio à distância. Os investimentos em treinamentos corporativos digitais também foram intensamente buscados nos últimos anos, por sua maior abrangência dentre os trabalhadores e, principalmente, facilidade de aplicação para todos e custos reduzidos.

Para as profissionais, a possibilidade de transformar o conhecimento acumulado ao longo de sua carreira em treinamentos de qualidade e comercializá-los para empresas e pessoas físicas, se torna mais uma oportunidade de carreira empreendedora. Deixar um cargo celetista pelo autônomo pode parecer uma escolha perigosa – mas, capaz de trazer grandes frutos para aquelas que desejam um caminho para equilibrar a carreira com uma maior qualidade de vida.

É preciso focar na continuidade profissional e, acima de tudo, utilizar os enormes recursos tecnológicos a seu favor.

(*) – É Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação e diretora da Treinar Mais, plataforma de gestão de treinamentos (www.treinamais.com.br).

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