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Juros, Inflação e Câmbio: o que você precisa entender antes de enviar ou receber dinheiro do exterior

em Mercado
quinta-feira, 07 de agosto de 2025

André Galhardo (*)

Em tempos de globalização e fronteiras financeiras cada vez mais flexíveis, é comum lidar com transações internacionais — seja para enviar dinheiro a familiares, investir fora do Brasil ou receber pagamentos de clientes no exterior. Mas você já parou para pensar em como o câmbio, os juros e a inflação influenciam diretamente o valor que você envia ou recebe?

Existe uma relação entre essas três variáveis e você pode usar esse conhecimento para tomar decisões mais inteligentes na hora de movimentar recursos entre países.

1.Inflação: o ponto de partida

A inflação é o aumento generalizado dos preços na economia. Quando ela está alta, o poder de compra da moeda cai — ou seja, com o mesmo dinheiro você compra menos coisas.

Governos e bancos centrais, como o Banco Central do Brasil, monitoram a inflação de perto porque ela afeta o custo de vida, a confiança do mercado e a estabilidade econômica. Quando a inflação sobe demais, é comum o banco central aumentar os juros para tentar conter esse movimento.

  1. Juros: a resposta à inflação

A taxa de juros básica da economia brasileira, chamada Selic, é usada para controlar a inflação. Na prática, isso significa que, quando os juros sobem, o crédito fica mais caro, o que desestimula o consumo e reduz a demanda. Por outro lado, a poupança e os investimentos em reais se tornam mais atrativos, atraindo investidores.

Isso impacta diretamente o câmbio, especialmente quando comparamos o Brasil com outros países, como os Estados Unidos.

  1. Câmbio: o reflexo do cenário

O câmbio, ou a taxa de conversão entre moedas (como o real e o dólar), é afetado por diversos fatores – e os juros e a inflação estão entre os mais importantes.

Quando os juros sobem no Brasil, o país se torna mais atrativo para investidores estrangeiros. Isso aumenta a entrada de dólares no país, elevando a oferta da moeda americana e, consequentemente, valorizando o real (o dólar fica mais barato).

Quando os juros caem, ou quando há incertezas sobre a inflação, o movimento é o oposto: os investidores tiram dinheiro do país, reduzindo a oferta de dólares e encarecendo o câmbio (o dólar sobe).

Quando é melhor enviar ou receber dinheiro do exterior? Entender essa lógica ajuda você a escolher o melhor momento para fazer suas transações internacionais. A seguir, destacamos algumas possibilidades.

Melhores momentos para receber dinheiro do exterior:
• Quando o dólar está alto em relação ao real;
• Quando os juros no Brasil estão baixos ou caindo, ou quando há instabilidade econômica;
• Quando há inflação alta nos EUA, o que pode levar o Fed (banco central americano) a subir os juros, fortalecendo o dólar frente ao real.

Melhores momentos para enviar dinheiro para o exterior:
• Quando o dólar está baixo em relação ao real;
• Quando os juros no Brasil estão altos e atraem dólares, valorizando o real;
• Quando há maior estabilidade econômica no Brasil e menor pressão inflacionária.

Não é necessário ser um economista para acompanhar os principais sinais do mercado. Ficar atento às decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil e do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos já ajuda bastante.

Observar os índices de inflação, como o IPCA no Brasil e o CPI nos EUA, também fornece pistas importantes sobre os rumos dos juros e do câmbio.

Além disso, utilizar sites e aplicativos que informam a cotação do dólar em tempo real pode ajudar a identificar boas oportunidades. Sempre que possível, antecipar ou postergar transações internacionais com base nesses sinais pode resultar em economias relevantes.

Saber como juros, inflação e câmbio se relacionam permite que você tome decisões mais estratégicas ao enviar ou receber dinheiro do exterior. Embora o mercado tenha flutuações diárias, compreender os fundamentos ajuda a identificar tendências e oportunidades.

Na dúvida, procure o apoio de especialistas ou plataformas que ofereçam ferramentas para acompanhar esses indicadores — assim, você transforma a economia em sua aliada na hora de lidar com moedas estrangeiras.

(*) Economista e consultor da Remessa Online.