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Estudo mostra que incerteza econômica é preocupação para 65% dos gestores

em Mercado
segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Monitor Global de Liderança aponta ainda escassez de talentos, mudanças no comportamento do consumidor, mudanças tecnológicas, tributação e regulações mais rígidas como maiores desafios no Brasil

A incerteza quanto ao crescimento econômico segue pelo segundo ano consecutivo no centro das preocupações dos líderes empresariais no Brasil, de acordo com o Monitor Global de Liderança. A pesquisa realizada pela Russell Reynolds Associates, referência global em busca, sucessão e desenvolvimento de lideranças, mostra que 65% dos gestores brasileiros consideram o cenário macroeconômico instável como o principal risco para os negócios, enquanto 55% destacam a escassez de mão de obra qualificada, 42% apontam mudanças no comportamento do consumidor e 38% dividem-se entre carga tributária, mudanças tecnológicas e regulações mais rígidas como desafios.

“Diante de um cenário macroeconômico cada vez mais instável, espera-se que os líderes atuem com clareza, intenção e coragem. Não basta apenas reconhecer os riscos, é fundamental mobilizar pessoas, comunicar uma visão consistente e fortalecer a liderança em todos os níveis da organização. O grande desafio dos executivos nesse momento é transformar a incerteza em uma oportunidade de alinhamento estratégico e fortalecimento coletivo, preservando o foco nos objetivos de longo prazo”, analisa Flávia Leão, sócia-diretora da Russell Reynolds e country manager da consultoria no Brasil.

Após registrar queda de 16 pontos percentuais entre o primeiro e o segundo semestre de 2024, a preocupação com a incerteza econômica no Brasil voltou a crescer em 2025, registrando alta de 10 pontos percentuais na percepção das lideranças. O dado nacional segue uma tendência mundial: 63% dos líderes globais também consideram a instabilidade na economia uma das maiores ameaças à saúde das organizações nos próximos 12 a 18 meses. O cenário desafiador se agrava ao se comparar o indicador com a proporção de líderes mundiais que se dizem preparados para lidar com a incerteza econômica, que caiu para 40%.

A escassez de mão de obra qualificada é apontada como a segunda maior ameaça aos negócios, de acordo com a percepção dos executivos brasileiros. A preocupação com o tema cresceu nove pontos percentuais no último semestre após se manter estabilizado ao longo de 2024. O pódio de riscos para negócios no Brasil é completado com as mudanças no comportamento do consumidor, indicador que também voltou a subir depois de um recuo no segundo semestre em comparação com o primeiro semestre de 2024.

A preocupação com carga tributária segue crescendo entre as lideranças ouvidas no Brasil, um aumento de oito pontos percentuais, enquanto, na percepção global, a tributação foi mencionada por apenas por 10% dos participantes do estudo. Embora mudanças tecnológicas já estejam melhor absorvidas de acordo com o estudo, com retração de 13 pontos percentuais em relação a 2024, o indicador segue entre as cinco principais preocupações dos gestores brasileiros. Regulações mais rígidas, ameaças cibernéticas, transformações no mercado de trabalho, incertezas geopolíticas, danos reputacionais, conflitos comerciais e protecionismo também foram destacadas pelos participantes do Monitor Global de Liderança como questões que podem impactar as organizações no Brasil.

O Monitor Global de Liderança entrevistou mais de 3 mil gestores de 46 países, incluindo o Brasil. O levantamento abrangeu membros do alto escalão, executivos seniores, conselheiros e representantes da próxima geração de lideranças de empresas que atuam nos setores de Consumo, Serviços Financeiros, Saúde, Tecnologia, Recursos Industriais e Naturais e Serviços Profissionais e Comerciais. Para conhecer o estudo na íntegra, acesse https://www.russellreynolds.com/en/insights/reports-surveys/global-leadership-monitor