Cuidados psicológicos diante da realidade da pandemia

Ivo Carraro (*)

O cérebro humano desenvolveu-se pelas ações do homem. Assim, em tempos de pandemia, há de se fazer um projeto de vida cotidiano. Programar, no dia anterior, as atividades que poderão ser desenvolvidas no dia seguinte: uma rotina em família para mudar o foco da atenção, desde o acordar até o adormecer.

Horário do café matinal; tempo para arrumar a casa; momento para a leitura prazerosa; programar filmes divertidos; estipular um horário para atualizações de noticiários (evitar o estresse ficando o tempo todo em frente à TV; atividades de lazer com as crianças, como pinturas e ginástica laboral; reservar um tempo para as redes sociais para comunicar-se com os amigos; escutar músicas que levem às boas lembranças do tempo de infância; um tempo para refletir sobre os acontecimentos no mundo; lembrar-se de dedicar um tempo para a espiritualidade para se falar de vida e não de morte…

Enfim, cada um a seu modo e com criatividade poderá fazer a sua própria programação. E, em caso de severidade da realidade psíquica individual desencadeada pela quarentena, procurar ajuda profissional.
No final de cada dia, enumerar três acontecimentos que trouxeram alegria. Escrever sobre eles num caderno e por que eles causaram este sentimento alegre — uma espécie de diário de bordo. O impacto na saúde mental desta atitude positiva é de fundamental importância nestes tempos de pandemia.

Ouve-se seguidamente que o mundo acabou ou vai acabar. É de se refletir sobre tais previsões catastróficas. Observe-se que o planeta Terra continuará a girar em torno de si e em torno do Sol. Então o mundo não acabou e não se tem previsão de que o mesmo acabe tão logo. Provavelmente o mundo individual de muitos sofra mudanças ou mesmo acabe após o coronavírus. Acabou o mundo do “eu” para surgir o mundo do “nós”, da solidariedade, da empatia e da teoria da mente, no qual cada um imagina o que o outro sente diante dos apertos ou das injustiças da vida.

Terminou o mundo do individualismo e da indiferença para surgir um mundo das comunidades, da família, da solidariedade, do respeito às individualidades. Findou o mundo do silêncio, como a quietude angustiante das ruas durante a quarentena, para ressurgir o mundo da palavra escutada e falada que ameniza os conflitos dos espíritos angustiados e difunde a paz e a esperança entre os homens, a mesma esperança que impulsiona os voluntários nos tempos de pandemia.

Brevemente a primavera surgirá com seus encantos coloridos, pois a Terra, silenciosamente, continuará na sua trajetória com seus movimentos infinitos. Como as ondas do mar que surgem no horizonte e se findam na praia, a onda do coronavírus também passará. Apenas os humanos não serão os mesmos depois que esta realidade se abrandar, porque eles sentir-se-ão mais fortes pelas experiências vividas, pois não se consideraram vítimas das circunstâncias, mas aprendizes eternos na infindável peregrinação pela vida.

(*) – É psicólogo do Centro Universitário Internacional Uninter.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap