
A estratégia climática do Brasil equilibra os custos e as oportunidades de redução de emissões, enfatizando a adaptação como um pilar central da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país, além de adotar uma meta de mitigação flexível. De acordo com o último relatório da Moody’s, a economia é altamente dependente de setores intensivos em carbono, como a agricultura, mineração e petróleo bruto, mas também está bem posicionada para desenvolver indústrias com potencial para se beneficiar da descarbonização, desde que consigam enfrentar as barreiras ao investimento.
As soluções baseadas na natureza (SbN) são fundamentais para atingir o net zero. Agricultura, uso da terra, mudança no uso da terra e silvicultura (LULUCF) respondem por quase metade das exportações e 60% das emissões do Brasil. Eliminar o desmatamento e expandir o reflorestamento são fundamentais para compensar as emissões geradas pela atividade agrícola. Os esforços atuais de redução de emissões da NDC do Brasil parecem insuficientes para atingir a meta net zero do país em 2050.
A eletrificação e descarbonização de outros setores envolverão investimentos significativos. O transporte, a indústria e os edifícios respondem por 25% das emissões e têm potencial para eletrificação. O setor de energia contribui com apenas 5% e é mais fácil de reduzir, mas seria necessária uma participação maior da geração de energia solar e eólica, já que a contribuição da energia hidrelétrica está se estabilizando. Baseado em modelos macrofinanceiros do Network for Greening the Financial System (NGFS), a Moody’s estima que o Brasil precisará investir de 1% a 2% do produto interno bruto (PIB), em média, a cada ano até 2030, para preencher a lacuna de investimento em energia para cumprir a meta net zero em 2050. O governo poderia fornecer 40% desse investimento e o setor privado, 60%. Isso poderia aumentar a dívida/PIB em 8.5 pontos porcentuais até 2040 em um cenário net zero .
Os biocombustíveis e os recursos naturais do país oferecem oportunidades para a transição energética. Como líder global em biocombustíveis com oferta abundante de energias renováveis e minerais essenciais, o Brasil está bem-posicionado para a descarbonização. No entanto, os ganhos de exportação projetados a partir de 2035 sob o cenário do net zero não são suficientes para compensar totalmente os custos de ajuste doméstico, aumentando os custos de transição econômica.
O foco em adaptação está alinhado à significativa exposição ao risco climático físico. As inundações, secas e incêndios florestais ameaçam a agricultura, a geração de energia hidrelétrica e o ecossistema da Amazônia, enfraquecendo seu papel como um sumidouro de carbono. O NGFS estima que os riscos físicos climáticos poderiam reduzir o PIB em 20% até 2050 em comparação com um cenário de referência hipotético sem danos físicos relacionados ao clima. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que é necessário um investimento ideal de adaptação anual de 0.25% a 0.5% do PIB na agricultura para evitar perdas futuras de produtividade.
O déficit na cobertura de seguros climáticos permanece elevado. Portanto, os investimentos em adaptação são fundamentais para a resiliência. Os setores agrícola e financeiro estão muito expostos aos riscos climáticos. O FMI estima que apenas 20% da agricultura teve cobertura de seguros em 2022, com aumento dos prêmios e dos sinistros durante períodos de secas. Cerca de 13% do crédito bancário é formado por crédito rural para setores vulneráveis ao clima.


