Tabelamento do frete pode elevar inflação de alimentos, segundo Ipea

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Em junho, o IPCA subiu 1,26%, a maior taxa para o mês desde 1995.

Foto: GP/Internet

Rio – O tabelamento do frete, principal medida negociada pelo governo para encerrar a paralisação dos caminhoneiros, pode aumentar a pressão sobre a inflação ao consumidor este ano. O impacto será especialmente sentido no setor alimentício. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou ontem (18), uma nova edição da Carta de Conjuntura.
Em junho, o IPCA subiu 1,26%, a maior taxa para o mês desde 1995. Os preços do grupo Alimentação e bebidas aumentaram 2,03%, o que resultou numa contribuição de 0,50 ponto porcentual para a inflação do mês. O Ipea espera que os alimentos encerrem o ano 3,93% mais caros, o equivalente a uma contribuição de 0,62 ponto porcentual para o IPCA do ano de 2018, estimado pelo instituto em 4,20%.
É possível que essa previsão seja revista para cima, dependendo do impacto que o tabelamento do frete terá sobre os custos dos produtores. O encarecimento do transporte pode causar uma pressão maior sobre os preços dos alimentos e, consequentemente, sobre a inflação do ano, avaliou José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea. “Mas ainda não é possível prever a dimensão desse efeito”, disse Souza Júnior.
A MP provisória que permite o estabelecimento de preços mínimos para os fretes rodoviários foi aprovada por deputados e senadores. Segundo o Ipea, o repique inflacionário de junho teve influência de três efeitos da greve de caminhoneiros sobre os preços dos alimentos: o entrave logístico durante a paralisação; a falta de estoques do varejo e de matérias-primas na indústria; e o aumento nos custos do transporte derivado do tabelamento dos fretes (AE).

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