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“Não há República se as coisas não estiverem escancaradas”

em Manchete
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Fellipe Sampaio/SCO-STF

Fellipe Sampaio/SCO-STF

Ministra Cármen Lúcia, presidente do STF e do CNJ.

A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF e do CNJ, defendeu ontem (14) o princípio da publicidade total na vida pública. “Não existe República possível se as coisas não estiverem escancaradas”, afirmou. Ela se manifestou em julgamento no CNJ sobre um pedido de providências em que o Sindicato dos Servidores da Justiça de Tocantis (Sinjusto) solicitava ao órgão que barrasse a publicação de informações sobre a produtividade de servidores, juízes e desembargadores do Tribunal de Justiça do Tocantis (TJ-TO).
A ministra considerou que devem ser tornadas públicas todas as informações acerca da produtividade de servidores públicos, de modo que possam ser comparadas pelos cidadãos e que os próprios funcionários públicos possam melhorar sua atuação. O entendimento dela prevaleceu no julgamento.
Ao se posicionar a favor da divulgação integral das informações, Cármen Lúcia usou o exemplo do STF, em que cada ministro tem publicado periodicamente quantos processos não julgados possui em seu gabinete.
“Todos aqui presentes já viram que a minha sala hoje é filmada, o que eu escrevo, como escrevo. E eu sei que estou no cargo. Quem cuida das coisas da cidade, dá-se a público inteiramente”, disse Cármen Lúcia.
Para a ministra, o princípio da publicidade na vida pública em todos os Poderes está claro na Constituição. “A vida em público, em uma república, se faz em público”, afirmou. “Está no artigo 37 da Constituição que a administração pública direta e indireta, de qualquer dos poderes da União, dos estados e dos municípios, obedecerá aos princípios da legalidade, da moralidade e da publicidade. Não precisava nem dessa Lei de Transparência”, acrescentou a presidente do CNJ e do STF (ABr).