BNDES: política de campeões nacionais é “quase um cacoete”

Fernando Frazão/ABr
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Presidente do BNDES, Paulo Rabello.

O presidente do BNDES, Paulo Rabello, defendeu ontem (20) a criação de uma estrutura institucionalizada e organizada para a instituição, a fim de evitar a destinação de recursos para “alguns priorizados” e disse que a política de campeões nacionais é um “cacoete”. Ele recebeu economistas e representantes de associações e do governo para um debate em comemoração aos 65 anos do BNDES, na sede do banco, no Rio de Janeiro.
“O BNDES tornou inúmeras empresas campeãs nacionais desde os seus primórdios, tanto públicas quanto privadas. Essa história de campeões nacionais é quase um cacoete com o qual tivemos que lidar recentemente, e que não corresponde necessariamente à verdade histórica do banco”, disse Rabello, referindo-se à política adotada nos anos 2000, que ficou conhecida como “política de campeões nacionais”, em que créditos foram destinados a grandes empresas brasileiras para torná-las gigantes globais.
O banco homenageou três economistas com a entrega de medalha “Mérito Desenvolvedor”: os ex-ministros Reis Velloso e Delfim Netto, e o ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa. Rabello afirmou que os recursos do banco deveriam ser cada vez mais capilarizados para milhares de empreendedores anônimos, destacando que a instituição foi criada em um Brasil que era voltado principalmente para a agricultura. Segundo ele, a atuação do banco ajudou a desenvolver a indústria, o setor energético e as obras de infraestrutura.
O presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, afirmou que a retomada econômica passa por investimentos em infraestrutura, estímulo à exportação e disponibilidade de crédito produtivo. Disse que é preciso conceder crédito, principalmente a empresas que gerem empregos. Ele afirmou que um aumento de investimento em infraestrutura pode elevar o PIB, já em 2019. Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, o BNDES precisa, no longo prazo, atentar para a revolução industrial representada pela inteligência artificial, estimulando a inovação, e, no curto prazo, aumentar a oferta de crédito (ABr).

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