Visão 360º: o futuro é mais digital e flexível

Manoel Pimentel (*)

São mais de 7 meses em que nos deparamos com a pandemia do coronavírus em todo o mundo. Além das mudanças na área de saúde e de novas medidas de segurança e higiene, o setor corporativo também precisou se adaptar. Muitas empresas tiveram que correr contra o tempo para se manter competitivas e se adequar à transformação digital. É preciso mais do que nunca, agir e entregar de forma rápida e ágil.

Recentemente, o Gartner divulgou a pesquisa “Plan How the Enterprise Will Exit the Pandemic” (Planeje como a empresa sairá da pandemia, em português) em que mapeia as etapas desse processo de retomada econômica, baseado em 3 fases: responder, recuperar e renovar. Obviamente, a duração de cada fase deve variar por país, setor, empresa – e até por unidade de negócios, produto ou serviço.

. Plasticidade Organizacional – À medida que as sociedades reabrem, mesmo que em níveis diferentes, e de forma gradual, a lição que fica para os líderes de negócios é: todos os clientes agora são digitais. Isto significa que é necessário rever processos internos e se reinventar para atuar nesse “novo normal”.

Remodelar as operações de negócio para atuar digitalmente é um dos pilares dessa transformação, o que chamo de “plasticidade organizacional”, que é a capacidade de se restruturar neste novo formato e adquirir novas competências, como a desmaterialização de procedimentos, por exemplo.

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O Gartner também lançou um outro estudo intitulado “Futuro das tendências de trabalho Pós-COVID-19”, em que comenta sobre o impacto de longo prazo e as ações para a área de Recursos Humanos neste momento. Antes da pandemia, as organizações focavam suas atividades em aumentar a eficiência nas entregas.

Agora, com as operações mais enxutas durante a crise provocada pelo coronavírus, um outro cenário surgiu, o de maior resiliência. Essa característica tornou-se vital pois, durante a pandemia, as empresas foram subitamente testadas sobre o quanto que conseguem adaptar suas operações de negócios em um curto espaço de tempo.

Algumas mudanças foram importantes neste momento, como a necessidade de proporcionar aos colaboradores opções mais variadas, adaptáveis e flexíveis, como a possibilidade de trabalhar remotamente, sem a necessidade de ir para o escritório ou indo apenas alguns dias da semana, e disponibilizar mais cursos e treinamentos online, por exemplo.

Outra iniciativa interessante também foi utilizar estruturas de tecnologia, como a nuvem, para direcionar a análise e a coleta de dados, e assim, trazer mais resultados e qualidade no trabalho, em vez de mais processos.

. Economia do agora – Acompanho bastante estudos sobre o “Now Economy” que reflete a personalização de serviços por demanda. Na pandemia, as empresas precisarão, mais do que nunca, colocar o consumidor no centro da sua estratégia, se antecipar ao que ele quer e entregar com a maior agilidade possível.

Esta situação reflete a manutenção de pequenos negócios, que investiram em serviços de delivery, por exemplo, e a crise em grandes empresas, que não tinham equipamentos e infraestrutura em nuvem. Vimos nos últimos anos a grande evolução da Amazon neste aspecto, na disrupção de seus negócios, principalmente na logística. A empresa desenvolveu uma cadeia de suprimentos robotizada para identificar produtos e empacotá-los.

A pandemia trouxe oportunidades para criação de novos modelos, funções e responsabilidades de negócios. Já as tecnologias como Big Data, Inteligência Artificial, Cloud, Internet das Coisas e cibersegurança foram impulsionadas e são indispensáveis neste momento.

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Muitos problemas enfrentados por empresas de diferentes portes, por exemplo, poderiam ter sido resolvidos com o uso dessas inovações, como plataformas de gestão, pagamentos e análises de resultados, que são necessárias para todas as organizações.

Sem o contato presencial, as ferramentas de comunicação à distância também tiveram um aumento de uso, principalmente para o trabalho remoto e a educação à distância. O WhatsApp, por exemplo, relatou um aumento de 40% na sua utilização durante a pandemia.

Acredito que mesmo com a abertura econômica, alguns formatos de negócios, como o e-commerce, a contratação de novos colaboradores de home office e o atendimento personalizado devem persistir e ser uma realidade para muitas empresas, que investiram na digitalização de seus procedimentos. Um novo mercado está surgindo e, com certeza, é mais digital e flexível do que antes

(*) – É diretor de Lean-Agile na GFT Brasil (http://www.gft.com).

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