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Recuperação da Gol e crise em outras grande empresas – o que está acontecendo no Brasil

em Manchete Principal
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

O ano mal começou e já temos uma notícia preocupante, a gigante da aviação nacional Gol, entrou com o pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos no último dia 25 de janeiro. Com a aprovação do Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York para levar adiante esse processo que lá conhecido por Chapter 11.

Esse caso soma-se às recentes crises enfrentadas por grandes corporações brasileiras, que começaram pela Americanas e teve novos capítulos com as Casas Bahia, a 123 Milhas, além da Oi, Marisa, Nexpe (antiga Brasil Brokers) e Tok&Stok, todas com dificuldades para pagar dívidas, reestruturar-se ou buscar a recuperação judicial. Por trás dessas crises, uma combinação de fatores agrava problemas operacionais e de gestão.

Entre os diversos fatores que contribuem para essa situação, o principal elemento são as altas taxas de juros, que encarece o crédito. Tudo em função da taxa básica, Selic, determinada pelo Banco Central, que mesmo com as quedas recentes, ainda é alta. Além disso, a lenta retomada do consumo, impactada pela inflação e pela perda de renda da população, já altamente endividada, reduziu os lucros das empresas. Por fim, a incerteza em relação ao futuro econômico do país compromete a confiança dos investidores, segundo especialistas.

As empresas do setor varejista e de serviços têm sido particularmente afetadas, uma vez que a recuperação das vendas não está ocorrendo na medida necessária para gerar fluxo de caixa suficiente para pagar as dívidas atuais, incluindo aquelas adiadas nos últimos anos. Com o aumento dos juros, os custos se tornam ainda mais onerosos. “O mercado brasileiro, assim como ocorreu em muitos países ao redor do mundo, tem enfrentado dificuldades para se recuperar pós-pandemia, além das oscilações relacionadas à conjuntura política e econômica global.

Os principais players não sobreviveram nos últimos anos sem recorrer a empréstimos e mantendo suas operações no vermelho para evitar o fechamento”, explica Benito Pedro, sócio da Avante Assessoria Empresarial, especializada em recuperação empresarial. Muitas empresas estão enfrentando essa situação. Lembrando que a economia mundial tem sido marcada pela preocupação mundial com as altas taxas de juros, não sendo assim exclusividade do Brasil.

Com o aumento do custo de capital, o endividamento e o crédito se tornam mais caros para empresas, indivíduos e até mesmo para o governo. Isso leva naturalmente a uma redução no consumo. “O que as empresas podem fazer para evitar que esse problema se torne uma constante? Isso dependerá do grau de comprometimento em que a empresa se encontra. As ações podem variar desde a readequação da estrutura até a recuperação judicial com o caso da Gol”, alerta Benito.

Em meio às recentes crises enfrentadas pelas empresas brasileiras, é importante destacar que cada empresa possui sua realidade e compromissos assumidos no mercado, o que limita um efeito cascata direto entre elas. Mas, é importante lembrar, no Brasil, o sistema financeiro imposto aos bancos é robusto, o que reduz a probabilidade de problemas de quebras mais generalizadas e problemas no setor financeiro.

No entanto, não se pode descartar esses casos recentes com grandes empresas causem grande instabilidade no mercado, afetando a liberação de crédito para empresas e indivíduos, reduzindo o fluxo de capital e levando a uma potencial recessão local, que também afetaria as exportações brasileiras para esses países.

“Em momentos de crise, é fundamental compreender que nenhuma empresa está imune a problemas, que podem surgir a qualquer momento. Por isso, é crucial investir constantemente em controles e gestão. Além disso, todas as empresas devem estar atentas às mudanças e exigências do mercado atual, a fim de identificar possíveis pontos de atenção e áreas internas que necessitam de melhorias para se manterem competitivas e conquistarem novos clientes”, alertou Denis Barroso, sócio da Barroso Advogados Associados e especialista em recuperação empresarial.

Para evitar que uma empresa seja afetada por uma crise financeira, é necessário que ela invista em estratégias que promovam um crescimento sustentável a médio e longo prazo, de forma a garantir sua própria sustentabilidade financeira. No entanto, se a crise já estiver instalada, uma opção pode ser recorrer à recuperação judicial. “Esse processo permite que empresas em dificuldades financeiras reorganizem suas dívidas e busquem recuperar sua situação financeira sem precisar declarar falência.

No Brasil, a recuperação judicial é regulamentada pela Lei de Recuperação de Empresas e pode ser uma ferramenta valiosa para empresas que estão passando por problemas financeiros e não conseguem mais honrar seus compromissos no mercado. Durante o processo de recuperação judicial, a empresa continua operando normalmente, mas recebe proteção legal contra ações de cobrança por parte de seus credores. É essencial que as empresas em dificuldades financeiras conheçam bem as regras locais antes de decidir pela recuperação judicial, ressaltou Denis Barroso.

No entanto, é importante ressaltar que a recuperação judicial apenas postergará a falência se o negócio da empresa não gerar receitas suficientes para pagar suas dívidas atuais. Portanto, é crucial identificar e solucionar a causa raiz do problema que levou a empresa à situação de dificuldade financeira. Isso envolve uma análise profunda das finanças, processos internos, estratégias de mercado e possíveis falhas na gestão.

Uma vez identificada a causa raiz, é necessário adotar medidas corretivas para reverter a situação. Isso pode incluir a reestruturação das operações, a busca por novos mercados, a redução de custos, a renegociação de contratos com fornecedores e credores, entre outras ações. Além disso, é fundamental contar com profissionais especializados, como consultores financeiros e advogados, que possam auxiliar no processo de recuperação.

No entanto, é importante ressaltar que a recuperação judicial não é a única alternativa disponível para empresas em dificuldades financeiras. Outras opções incluem a negociação direta com credores, a venda de ativos não essenciais, a busca por investidores ou parceiros estratégicos, ou até mesmo a reestruturação voluntária, onde a empresa busca uma renegociação de suas dívidas fora do processo judicial. Cada situação é única, e a escolha da melhor estratégia depende das circunstâncias específicas de cada empresa. É essencial buscar orientação profissional para avaliar as opções disponíveis e tomar decisões informadas.

No contexto atual, com a retomada da economia após a crise global, é importante que as empresas estejam preparadas para enfrentar desafios financeiros e se adaptar às mudanças do mercado. Manter uma gestão financeira saudável, investir em inovação, acompanhar as tendências do setor e manter um relacionamento transparente com clientes, fornecedores e credores são práticas fundamentais para a sustentabilidade dos negócios.

Em resumo, a prevenção de crises financeiras requer uma combinação de boa gestão, planejamento estratégico, acompanhamento constante do mercado e ação proativa para identificar e resolver problemas antes que se agravem. Caso a empresa enfrente dificuldades financeiras, é importante buscar ajuda especializada e considerar todas as opções disponíveis para buscar a recuperação.