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Levy: Desafio da gestão pública é racionalizar gastos e limitar tributos

em Manchete Principal
quarta-feira, 07 de outubro de 2015

Para o ministro da Fazenda, a capacidade de se extrair recursos da sociedade é limitada, uma vez que há um ponto em que a incidência de impostos pode prejudicar a atividade econômica.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse ontem (7) que o grande desafio da gestão pública é o de racionalizar os gastos do governo e estar atento à carga tributária, que tem seus limites. Levy participou do 5º Congresso de Informação de Custos e Qualidade do Gasto no Setor Público, realizado na Escola Superior de Administração Fazendária (Esaf) em Brasília. Segundo ele, se há uma demanda crescente por serviços públicos, é importante observar que o governo tem limites orçamentários. “Se, por um lado, a capacidade de tributação tem limites, por outro, há expectativas – concretas e legítimas – de provisão e melhora de serviços públicos”.
Para ele, a capacidade de se extrair recursos da sociedade é limitada, uma vez que há um ponto em que a incidência de impostos pode prejudicar a atividade econômica. Observou, porém, que há outro ângulo da questão, que é existência, na sociedade, de demanda crescente por serviços. “Como podemos conciliar, diante das restrições? A chave está na racionalização [dos gastos] e na priorização [de projetos]”, afirmou.
O ministro lembrou que, no Brasil, as aposentadorias preenchem 40% dos gastos público do governo federal. Outra despesa significativa se refere à área de saúde. Citou também, como relevantes, as despesas com programas assistenciais de transferência de renda, serviços essenciais para o setor produtivo e educação. “Esses são os grandes itens do gasto público”, disse.
Segundo Levy, é importante que o governo esteja sempre atento para identificar como “está gastando e em quê está gastando”. Essa responsabilidade do governo visa a garantir que “cada real e cada centavo posto na mão da administração pública pela própria sociedade tenha o melhor destino e o melhor resultado”. O ministro defendeu ainda a desindexação da economia. Para ele, mesmo com a estabilidade da moeda, o país ainda tem o hábito de ficar “revivendo o passado”, atrelando preços a algum tipo de índice. “Isso torna a política monetária mais difícil de ser conduzida, mais onerosa”, acrescentou.
Levy disse que a desindexação da economia constitui uma prioridade para o país. Essa tarefa, conforme acrescentou o ministro da Fazenda, conta com defensores no setor privado. “A indexação diminuirá os grilhões que nos amarram ao passado”, disse. O 5º Congresso Internacional de Informação de Custos e Qualidade do Gasto no Setor Público, começou ontem (7) e termina na sexta-feira (9). O evento debate a qualidade dos gastos da máquina administrativa e a necessidade de transparência nas políticas públicas (ABr).