Finanças pessoais: 14 perfis de comportamento que devem ser evitados

Segundo uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde em agosto, pior mês da série história. Segundo Carol Stange (*) , educadora em finanças pessoais, isso é reflexo da crise financeira mundial causada, principalmente, pela pandemia. “Ao mesmo tempo alerto que a pandemia não é a única responsável pela dificuldade enfrentada pelas famílias.

Existem também a falta de conhecimento e aprendizado para lidar com as finanças e isso leva à perda de controle do orçamento familiar”. Diante desses fatores, muitos brasileiros ficam na dúvida sobre as melhores formas de lidar com o seu dinheiro! Segundo a especialista em finanças pessoais, administramos o nosso dia a dia a partir de determinados padrões. Portanto, conhecer alguns exemplos que devem ser evitados é um grande passo para uma vida financeira saudável e equilibrada.

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Carol Stange, educadora em finanças pessoais. Foto: Acervo Pessoal

Para ajudar a alcançar seus objetivos pessoais do jeito mais rápido, assertivo e com as menores perdas financeiras possível, Carol aponta os 14 perfis de comportamentos que devem ser evitados e que merecem distância da sua vida financeira.

O Cego – Não sabe quanto ganha e gasta e para onde vai o seu dinheiro. Afirma que ganha pouco, portanto não há o que anotar ou então, que sabe tudo de cabeça. Como não controlamos o que não conhecemos, o Cego vive um dia de cada vez e tem a falsa ideia de que o mapeamento das receitas e despesas só é necessário para as pessoas muito descontroladas, endividadas ou para indivíduos que têm muito dinheiro.

O desinformado – Contrata serviços financeiros e até arrisca a fazer alguns investimentos, mas evita pesquisar taxas em instituições diversas ou prefere simplesmente não conhecer outros produtos disponíveis no mercado que também possam atendar às suas necessidades. A grande cilada é que esse perfil, muitas vezes, toma alguns riscos financeiros sem ter total consciência deles.

Contrata um empréstimo consignado e oferece seu imóvel como garantia sem entender às consequências reais do não pagamento do empréstimo. Acostuma-se a usar o limite do cartão de crédito e cheque especial como complemento de renda, ou ainda, contrata empréstimos para a compra de artigos de luxo.

O Temeroso – Tem medo de se comprometer com financiamentos e parcelamentos de médio e longo prazo, portanto prefere pagar tudo à vista. Ao mesmo tempo em que fica aliviado ao ver que tem uma vida financeira sem dívidas, se ressente ao perceber que não têm conseguido construir patrimônio com a velocidade que desejava e se frustra ao não usufruir de determinados prazeres conforme gostaria.

O Desconfiado – Bancos e instituições financeiras lhe deixam sempre com uma “pulga atrás da orelha”. Será que essas opções de investimentos são realmente seguras? E se o banco ou corretora fechar as portas? E se o país quebrar? Prefere deixar o dinheiro dentro de casa, ou ainda pior, dar ao amigo que conhece o “melhor investimento do século”.

O malabarista – É especialista em pagar uma dívida e faz outra para conseguir giro financeiro, e assim, ganhar alguns dias para conseguir o dinheiro. Os boletos, carnês e compromissos financeiros diversos estão sempre pisando no seu calcanhar. Enfim, está sempre pensando levantar dinheiro rápido para pagar alguma dívida “urgente”. Ao malabarista resta não parar nunca, já que qualquer pausa significa uma cascata de bolas caindo em cima de sua cabeça.

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Imagem: Pexels

O Iludido – Acredita que por ter um trabalho relativamente estável, com o pagamento dos comprometimentos financeiros em dia e por usufruir de certo conforto diário, sua vida financeira é saudável. O Iludido gasta tudo o que ganha e não percebe que vive uma farsa, pois quando não há poupança, qualquer ocorrência fora da rotina servirá como porta de entrada para o endividamento com altas taxas cobradas pelo cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

O Arrojado – Gasta, consome e adquire seguindo o pensamento “quem não se endivida e não corre riscos, não tem conquistas financeiras”. Mas o Arrojado extrapola ao focar em adquirir passivos, que lhe aumentam o custo de vida rotineiro. Casa de praia, chácara, segundo e terceiro carro, roupas de grife e passeios necessariamente caros… significam para si mesmo que atingiu certo sucesso em sua trajetória, mas não percebe que, na verdade, é um refém financeiro do seu estilo de vida.

O Novato – Recebeu com alegria a notícia de que, agora que terminou os estudos e começou a trabalhar em um emprego formal (com direito a holerite, vale refeição, férias e 13o salário!) e agora pode ter acesso a um cartão de crédito com um limite quase do mesmo valor do seu salário, crédito consignado diretamente pela empresa, cheque especial disponível e crédito pré-aprovado no comércio local. O super endividamento ronda o Novato, mas sua euforia o impede de perceber o perigo.

O que espera – Esse perfil espera sempre por uma solução vinda de fora: herança, prêmio na loteria, ajuda familiar, aumento de salário inesperado, uma ajuda divina. Infelizmente, falta-lhe atitude de protagonista para encarar sua vida financeira como resultado das suas escolhas e atitudes próprias.

O Bonzinho – Está sempre ajudando financeiramente um amigo ou um parente, e justamente por isso, está sempre com dificuldades financeiras, nome comprometido ou perdendo algum amigo. Tem dificuldades em dizer não e frequentemente envolve-se em conflitos matrimoniais ou familiares por colocar a vida financeira (sua ou da família) em risco.

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Imagem: Pexels

O que Subestima – Já fez algumas simulações de investimentos e, decepcionado com a rentabilidade das aplicações, concluiu que não vale a pena investir, pelo menos não com o dinheiro que tem disponível ou nos produtos indicados. O perfil do que Subestima ignora o poder da oitava maravilha do mundo: os juros compostos e desconsidera seu efeito bola de neve ao longo dos anos.

O que Superestima – Ao contrário do perfil que subestima, o que Superestima acredita que a realização de todos os seus sonhos será muito fácil, rápido e que, se essa conquista demandar alguns sacrifícios financeiros, estes serão pequenos o suficiente para que não alterem ou atrapalhem a rotina diária. Geralmente esse perfil apresenta um fôlego curto, pois ao vivenciar o plano de investimentos traçado, se decepciona e retoma o padrão de vida anterior.

O que tem vida breve – Nada vale o preço de deixar de consumir e aproveitar o dia de hoje em prol de um futuro em que não se sabe se estará vivo para desfrutar. O que tem vida breve não se priva na hora de gastar e costuma levar um susto ao perceber que, “de repente”, o tempo passou, e não há reservas financeiras ou patrimônio construído para respaldar lhe em um período da vida em que já não é mais possível ser tão produtivo financeiramente.

O que pensa só no futuro – Ao contrário do perfil anterior, o que só pensa no futuro encara seu compromisso com a aposentadoria como algo sério e permite que esse objetivo ocupe todos os seus pensamentos e ações. Pequenos prazeres da vida são solenemente ignorados e seu estilo de vida é propositalmente espartano, pois todos os recursos financeiros são acumulados para o seu objetivo futuro.

(*) – Formada em administração de empresas pela PUC-PR, cursou MBA em Gestão Empresarial pela UEL/MEB e MBA em marketing pela PUC-SP. É colunista dos veículos Guia Bolso, Cobizz, Revista Em Condomínios, do blog empresarial Paketá Crédito e criador da marca “Como enriquecer seu Filho” (https://carolstange.com.br).

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