Diante de nova operação, UE pode adotar novas barreiras contra carne brasileira

A Operação Trapaça deflagrada ontem (5), mira fraudes laboratoriais perante o Ministério da Agricultura. Na foto, O ex-presidente da BRF, Pedro de Andrade Faria, deixa a Superintendência da PF, em São Paulo, rumo à cidade de Curitiba.
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Genebra – A Europa pede esclarecimentos ao Brasil sobre as novas descobertas reveladas pela operação que fez novas prisões relacionadas com o comércio de carnes. Bruxelas não descarta aplicar novas medidas restritivas contra os produtos nacionais, caso considere que seja necessário. Ontem (5), a Polícia Federal realizou uma nova fase da Operação Carne Fraca, revelando que Pedro de Andrade Faria, ex-presidente da BRF, sabia de falsidade ideológica e possíveis problemas sanitários na venda dos produtos. Mas omitiu dados do Ministério da Agricultura e ordenou ocultação de ilícitos.
Foram cumpridos 91 mandados decretados pela Justiça Federal, do Paraná. Batizada de Operação Trapaça, 11 pessoas estão com ordem de prisão temporária e 27 de condução coercitiva. Os policiais cumpriram ainda 53 mandados de busca e apreensão em unidades da BRF – dona da Sadia e Perdigão. Numa carta às autoridades brasileiras, a Europa quer esclarecimentos sobre a dimensão do novo escândalo. “A Comissão Europeia foi informada desse problema por meio da delegação da UE em Brasília”, apontou Bruxelas, em um comunicado enviado por email.
“A delegação foi solicitada a questionar e obter das autoridades brasileiras todas as informações relacionadas a esse caso e que possam afetar a importação para a UE”, disse. “Além disso, uma carta oficial pedindo informações detalhadas sobre as descobertas está sendo enviada às autoridades brasileiras”, declarou Bruxelas. Por enquanto, a Comissão Europeia indica que as certificações exigidas depois da primeira fase da Operação Carne Fraca continuam em vigor. Também estão mantidos os controles reforçados em todas as fronteiras da Europa para garantir “a segurança do produto importado para a UE”.
Mas Bruxelas deixa claro que “a Comissão poderia tomar medidas adicionais consideradas como necessárias à luz das informações que recebamos”. “As atuais condições de importação de carne do Brasil apenas permitem a importação de um número limitado de estabelecimentos”, explicou. A auditoria, realizada em maio em fazendas e frigoríficos brasileiros, concluiu que o controle é “insatisfatório” e que, mesmo depois da Operação Carne Fraca, o governo não implementou o que havia prometido. Queixando-se abertamente das promessas não respeitadas pelo Brasil, os europeus apontam que qualquer garantia dada pelo governo de Michel Temer tem problemas para ser recebida de forma positiva (AE).

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