
O tarifaço do governo dos EUA abriu uma enorme fissura na economia mundial. E não deve parar por aí.
Redação
Vivemos uma situação inédita, na história. Como navegar e sobreviver em meio ao brutal desalinhamento econômico, com tarifaços, dificuldades com logística, europeus querendo normatizar o que é ou não sustentável, parcerias interrompidas e zero de previsibilidade? Este é parte do quadro desenhado durante o dia de ontem, 11, no 24° Congresso Brasileiro do Agronegócio. Por sobrevivência, empresas precisam se armar, rever custos e estratégias assim como os países. Por isso o Brasil prepara o arsenal de guerra para fazer valer sua posição no mundo.
A pergunta do jornalista William Waack (convidado para mediar o painel Alimentos, Energias e Inovação), sobre como navegar e sobreviver nesta situação?, pareceu fazer eco junto aos participantes do Congresso Abag. O executivo Alfredo Miguel, diretor LATAM da John Deere, admitiu que sua cadeia de produção é bem estruturada mas que agora precisará repensar várias coisas, até porque a companhia atua em vários países, com planta local, e exporta para 55 deles. Custos, logística e exportação são três itens que merecem especial atenção desde já.

Mário Santos, CEO da Bayer Brasil e dirigente da divisão Crop Sciense Brasil, é de opinião que empresas precisam continuar a investir no país, e que muito do que foi feito, em termos institucionais e de criação de infraestrutura nos últimos 50 anos, deve ser mantido e atualizado. Já seu colega Gilberto Tomazoni, CEO internacional da JBS, comentou os desarranjos que ocorrem com a gigante operação desta multinacional brasileira, como a falta de bois na filial dos Estados Unidos, por exemplo. Mais que isso, o “tsunami” que afeta todas as economias pode gerar problemas para a manutenção de empregos. Só a JBS responde por 380 mil postos de trabalho no mundo.
Larissa Wachholz, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), disse que o pedido de Donald Trump para que os chineses quadrupliquem a compra de soja norte-americana neste momento, era previsível. Aliás, previsível e desastroso para o Brasil, porque o país responde por 70% das 100 mil toneladas que os chineses consomem.
Os participantes do painel concordaram que o Brasil precisaria de entidade única que representasse os anseios de todos os segmentos do agro na mesa de negociações. Antes, Caio Carvalho (presidente da Abag) revelou que a CEO da COP30, Ana Toni, recebeu o documento intitulado “Agronegócio frente às Mudanças Climáticas”, com o objetivo de reiterar o papel do agro (gerador de 23% do PIB nacional) como parte da solução para os desafios do clima e o protagonismo do Brasil.

BOLSA
Gilson Finkelsztain, presidente da Bolsa de Valores (B3), lembrou da parceria com a Abag para o evento e destacou o interesse e empenho da instituição para com a cadeia do agro. O Fiagro, Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, tem atualmente 550 mil investidores, movimentando R$ 10,5 BI, ilustrou ele, lembrando ainda que os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) mantêm em estoque R$ 160 BI.
Romeu Zema e Tarcísio de Freitas, governadores de Minas e São Paulo, respectivamente, discorreram sobre a qualidade e certificação do café brasileiro (99% produzido em áreas sem desmatamento), malha rodoviária e infra de uma maneira geral, além do que o Estado de São Paulo está em vias de conseguir 30% de sua área total de proteção ambiental.
O embaixador Roberto Azevedo, diretor da OMC (Organização Mundial do Comércio), fez a palestra de abertura do evento criticando a imprevisibilidade econômica — “o multilateralismo foi substituído por uma arena onde não há regras” – e apregoando a necessidade de o Brasil rever estratégias e se armar para esta guerra, “sobretudo o agro”.
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