
Só 33% das empresas superam a fase inicial. Especialista aponta três pontos críticos para quem quer alcançar o sucesso
Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), apenas 33% das empresas de base tecnológica no país conseguem avançar além da etapa de validação do produto e atingir escala de mercado. O levantamento revela que cerca de 67% encerram as operações ainda nos primeiros anos, sem conquistar tração ou sustentabilidade financeira. Estudos internacionais confirmam o cenário: a CB Insights aponta que 38% das startups encerram atividades por falhas na gestão de caixa, enquanto 35% não sobrevivem pela ausência de demanda consistente no mercado.
Para Marilucia Silva Pertile, cofundadora da Start Growth e mentora de startups SaaS, a maior barreira não está em validar a ideia, mas em sustentar a fase seguinte. “Validar o produto é só o começo. O que sustenta a escalada é gestão, máquina de vendas e estrutura de operação”. Para ela, a alta taxa de mortalidade não se aplica apenas pela ausência de boas ideias, mas pelo improviso na execução. “Sem métricas, previsibilidade financeira e disciplina comercial, perde-se competitividade”, completa.
Na avaliação da especialista, investidores estão cada vez mais criteriosos e exigem clareza de indicadores como CAC (Custo de Aquisição de Clientes), LTV (Lifetime Value) e churn rate. “Vale ressaltar que no mercado internacional, quem valida o produto encontra um ecossistema preparado para financiar os próximos passos. Já no Brasil, o funil é mais estreito. O pitch abre a conversa, mas o que mantém o investidor interessado é a consistência do modelo e a capacidade de execução”, aponta.
Existem três pontos críticos que as startups que querem escalar precisam se atentar, na visão de Marilucia:
- Gestão financeira sólida – monitorar caixa, burn rate e previsões de capital.
- Máquina de vendas estruturada – funil de conversão claro, equipe dedicada e metas de tração definidas.
- Operação consistente – processos organizados, documentação pronta para due diligence e visão de longo prazo para sustentar rodadas futuras.
O futuro do ecossistema de startups será marcado por disciplina e menos improviso. As empresas que se destacarão são as que transformarem dados em infraestrutura estratégica, estruturarem máquinas de vendas eficientes e mantiverem sustentabilidade financeira desde cedo. “Atuar em mercados robustos (como fintechs, healthtechs, edtechs, martechs e agtechs) continuará sendo decisivo, assim como o perfil do fundador: investidores buscam líderes resilientes, apaixonados pelo problema que querem resolver e capazes de equilibrar visão estratégica com execução disciplinada”, pontua a mentora.




