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Paguei todas as dívidas, mas ainda não consegui crédito. Por que isso acontece?

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sexta-feira, 05 de setembro de 2025

Especialista da Recovery explica como recuperar a confiança do mercado financeiro e retomar o acesso ao crédito

Você quitou a última parcela da dívida, respirou aliviado e achou que o caminho para realizar sonhos, como comprar um carro, financiar um imóvel ou contratar um cartão de crédito, estava novamente aberto. Mas, ao tentar um novo crédito, veio a frustração: recusa após recusa. Por que, mesmo com as dívidas pagas, os bancos continuam dizendo “não”?

Essa situação, embora frustrante, é mais comum do que parece. O pagamento das dívidas é uma conquista importante, mas não significa que o mercado financeiro irá reabrir imediatamente as portas do crédito. Isso acontece porque o sistema financeiro considera outros fatores além da quitação.

“A percepção de risco que o mercado tem sobre um consumidor leva em consideração se ele possui algum histórico de inadimplência, mesmo após a quitação das dívidas”, afirma Patricia Bertolin Abrahao, gerente jurídico contencioso e de atendimento ao cliente da Recovery. “O pagamento, por si só, não apaga o passado financeiro. As instituições consideram o tempo de inadimplência, o perfil de pagamento ao longo dos meses e a consistência na retomada das finanças. Por isso, é muito importante manter as contas em dia, demonstrar disciplina e regularidade para retomar o crédito.”

O que pode impedir o acesso ao crédito
1. Histórico recente de inadimplência – Após quitar a dívida, os birôs de crédito (como Serasa, Boa Vista e SPC) dão baixo no registro de atrasos e inadimplência. Porém, é importante saber que alguns birôs podem disponibilizar um extrato ou histórico das negativações que já deram baixa. Esses dados são considerados pelos bancos na hora da análise, e podem indicar um risco elevado no momento da concessão de crédito.

2. Score de crédito ainda baixo – O score de crédito, que varia de 0 a 1000, reflete seu comportamento financeiro. Um score entre 0 e 300 pontos indica uma chance muito baixa de obter crédito, entre 301 e 500 reflete uma chance baixa de conseguir crédito, entre 501 e 700 pontos aponta uma boa possibilidade de obter crédito e entre 701 e 1000 pontos aponta uma boa oportunidade de conseguir crédito.

Após um período com pontuação nas faixas de risco e com as dívidas quitadas, o score pode melhorar com o tempo, mas não sobe imediatamente. Para ter um score favorável ao crédito, é importante ter um histórico de pontualidade nos pagamentos, manter seu CPF sempre ativo e movimentado, ter uma boa relação com empresas de crédito, ter consultas recentes ao CPF.

3.Pouca movimentação no CPF – Se você não tem contas no seu nome ou um cartão de crédito ativo, não há dados suficientes para o mercado avaliar seu perfil e saber se você se tornou um bom pagador.

  1. Renegociação ainda em aberto – Negociar uma dívida não é o mesmo que quitá-la. Se o acordo ainda está sendo pago, seu nome pode continuar com restrições até obter a quitação completa.
  2. Dados desatualizados – Pode ser que os birôs de crédito ainda não tenham registrado a quitação da dívida. Por isso, é importante verificar se o nome já foi retirado das listas de negativados — o prazo para isso é de até cinco dias úteis após o pagamento.

6.Renda incompatível com o crédito solicitado – Mesmo sem dívidas, sua renda precisa ser compatível com o valor solicitado. Se o banco considera que você não conseguirá pagar o valor de volta, ele pode negar o crédito.

7.Excesso de pedidos recentes – Solicitar crédito várias vezes em pouco tempo pode soar como desespero para os sistemas de avaliação de risco. Isso diminui suas chances de aprovação.

  1. Ficou muito tempo com o “nome sujo” – O tempo em que o nome ficou negativado influencia bastante. Um longo período com dívidas não pagas reforça a imagem de alto risco, impacta negativamente o score e dificulta a recuperação da confiança por parte do mercado.

Como voltar a ter acesso ao crédito – A boa notícia é que dá para reconstruir seu perfil financeiro com disciplina e estratégia. Confira abaixo algumas iniciativas que podem ajudar.

• Atualizar os dados nos birôs de crédito: CPF, renda e endereço atualizados facilitam a análise de crédito.

• Usar crédito com controle: O cartão consignado, concedido apenas para aposentados, pensionistas e servidores públicos, mesmo que disponibilizado com um limite reduzido, pode ser útil para mostrar responsabilidade.

• Pagar contas no seu nome em dia: Luz, água, internet — tudo conta para construir uma boa reputação.

• Evitar pedir crédito muitas vezes em sequência: Aguarde um tempo entre os pedidos para não prejudicar sua imagem.

• Aumentar a renda comprovada: Formalize atividades extras ou busque ocupações com carteira assinada.

• Negociar com o banco: Converse com seu gerente e apresente sua situação. Cartões com garantia e limites controlados podem ser boas alternativas.

• Monitorar o score: Acompanhe a evolução do seu perfil em plataformas como Serasa ou Boa Vista.

Quanto tempo leva para voltar a ter crédito?
O nome deve sair da lista de inadimplentes até 5 dias úteis após o pagamento da dívida. O score, por sua vez, pode começar a melhorar entre 30 e 90 dias, dependendo do comportamento financeiro. Se o nome ficou sujo por muito tempo, esse período pode ser maior, mas o importante é manter uma trajetória consistente. A reconquista do crédito pede paciência. Costuma exigir tempo, organização e um histórico financeiro consistente para que o mercado volte a considerar o consumidor como confiável.

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