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Franquias de Restaurantes: O que é preciso saber antes de investir

em Mais
quinta-feira, 31 de julho de 2025

Marcelo Politi (*)

O setor de alimentação continua sendo um dos mais procurados por quem deseja empreender no Brasil. As franquias de restaurantes aparecem como uma alternativa atrativa, oferecendo uma combinação de marca consolidada, processos testados e suporte da franqueadora. Porém, apesar da estrutura oferecida é preciso cuidado, já que o sucesso de uma unidade franqueada vai muito além do nome na fachada.

Para Marcelo Politi, especialista em negócios gastronômicos e mentor de donos de restaurantes, o modelo de franquia pode ser um ótimo ponto de partida, mas exige preparo. “Entrar em uma franquia não significa que o jogo está ganho. É um modelo que entrega ferramentas, mas quem transforma essas ferramentas em resultado é o franqueado. Sem gestão, não há marca que salve”, afirma.

Onde está o potencial e os riscos?
As franquias oferecem vantagens importantes como acesso a fornecedores homologados, cardápio validado, campanhas de marketing estruturadas e treinamentos contínuos, mas junto com esses benefícios, vem a exigência de seguir padrões rígidos, o que pode limitar a autonomia do operador.

Segundo Politi, muitos problemas enfrentados por franqueados nascem dentro da operação. “A maior parte dos insucessos não vem do modelo da franquia, mas da má gestão. Controle de CMV (custo das mercadorias vendidas) mal feito, liderança fraca e falta de processos claros impactam diretamente no lucro e na qualidade de vida do dono”, explica.

Aspectos fundamentais antes de investir
1. Perfil do investidor
Cada franquia exige um nível diferente de dedicação e habilidade. Há modelos mais operacionais e outros mais gerenciais e, para isso, entender o próprio perfil é essencial. “Se você não gosta de rotina pesada e lidar com equipe, pense duas vezes antes de entrar em uma franquia de alimentação”, recomenda Politi.

  1. Escolha da marca
    Nem sempre a marca mais famosa é a mais rentável ou adequada. Avaliar a reputação da franqueadora, ler a Circular de Oferta de Franquia (COF) com atenção e conversar com franqueados da rede são passos fundamentais. “Não se deixe levar só pelo apelo comercial. Faça uma análise fria: quanto custa entrar, quanto custa operar e quanto sobra no fim do mês”, orienta o especialista.
  2. Compreensão Financeira
    Ter domínio dos números é obrigatório. Entender CMV, ticket médio, ponto de equilíbrio e lucratividade por operação são conhecimentos que fazem a diferença. “Você não precisa ser contador, mas precisa saber ler os números e tomar decisões com base nos mesmos. Franquia não é um emprego com salário fixo, e sim um negócio, e precisa ser tratado como tal”, reforça.
  3. Gestão de Pessoas e Processos
    O dia a dia da operação exige equipe treinada, supervisão constante e padrão de atendimento. Processos bem definidos evitam erros, perdas e retrabalho. “Não existe mágica, existe método que vem da gestão. A operação precisa funcionar mesmo quando o dono não está presente”, conclui Politi.

(*) Empresário e gestor gastronômico.