
Prazo de adaptação já está em andamento e exige revisão de processos, liderança e acompanhamento de equipes, afirma especialista da Gateware
Equipes distribuídas em diferentes estados e países, profissionais alocados em clientes, trabalho remoto, ciclos curtos de desenvolvimento, operações em regime contínuo e alta demanda por especialistas compõem uma rotina comum em empresas de tecnologia. Desde 26 de maio, com a entrada em vigor da atualização da NR-1, esse modelo de organização passou a exigir atenção maior aos fatores psicossociais relacionados ao trabalho, já que as companhias precisam identificar, registrar e monitorar situações que possam contribuir para o adoecimento mental do colaborador. Embora o Ministério do Trabalho e Emprego tenha adotado uma fase inicial de orientação antes da aplicação de penalidades, o prazo de 90 dias já está em curso e, agora, na metade de junho, as organizações têm cerca de 65 dias para concluir adequações que passarão a integrar a fiscalização trabalhista.
Segundo a Gerente de Marketing e Pessoas & Cultura da Gateware, Taline Klinguelfus, a adequação exige que as empresas, inclusive de tecnologia, convertam rotinas de acompanhamento em critérios formais de gestão de risco, com identificação dos fatores psicossociais, registro no Programa de Gerenciamento de Riscos, definição de medidas preventivas, responsáveis pelo monitoramento, prazos de resposta e reavaliação periódica. Ela explica que companhias do setor costumam operar com equipes multidisciplinares, projetos simultâneos e profissionais inseridos em ambientes corporativos distintos.
Essa realidade demanda atenção sobre carga de trabalho, autonomia, clareza de papéis, integração com lideranças, suporte técnico e adaptação aos diferentes modelos de gestão. “Mapear riscos psicossociais exige observar como as demandas são distribuídas, quais recursos estão disponíveis para execução das atividades e de que forma os profissionais recebem orientação e acompanhamento ao longo dos projetos”, afirma.
Cuidados com a saúde ocupacional
De acordo com a gerente, a nova redação da NR-1 exige a incorporação dos riscos psicossociais ao gerenciamento ocupacional da empresa, com avaliação de sua presença em áreas, funções ou projetos, documentação no PGR e comprovação de medidas para reduzir a exposição dos profissionais. Na visão da especialista, empresas de tecnologia precisam priorizar três frentes durante o período de adaptação. Entre elas estão a revisão da forma como demandas, prazos e responsabilidades são distribuídos, o acompanhamento de profissionais em trabalho remoto, híbrido ou alocados em clientes e a capacitação da liderança para reconhecer sinais de sobrecarga, dificuldade de adaptação, isolamento, queda de engajamento ou necessidade de suporte especializado.
Ela acrescenta que a adequação também depende de evidências. Registros durante o onboarding, conversas periódicas, planos de acompanhamento, encaminhamentos realizados, revisão de cargas de trabalho e ações de capacitação ajudam a comprovar que a organização identificou riscos e adotou providências proporcionais à realidade da operação. “O ponto central é mostrar que existe um processo contínuo, capaz de identificar, acompanhar e corrigir fatores que podem comprometer a saúde dos profissionais”, avalia.
A necessidade de adaptação cresceu diante do aumento dos afastamentos relacionados à saúde mental no país. Dados da Previdência Social apontam que o Brasil registrou mais de 546 mil licenças por transtornos mentais em 2025, o maior volume já contabilizado. A atualização da NR-1 surge nesse cenário e reforça a responsabilidade das empresas em prevenir fatores associados ao adoecimento antes que eles resultem em afastamentos, perda de produtividade ou passivos trabalhistas.
Modelo Gateware de cultura organizacional
Parte das empresas de tecnologia já vinha estruturando iniciativas alinhadas aos princípios que agora passaram a integrar a norma. Na Gateware, o acompanhamento sempre envolveu colaboradores internos, profissionais alocados em clientes e prestadores de serviços, com participação das áreas de Pessoas & Cultura e Experiência do Cliente. O modelo inclui onboarding estruturado, atuação de especialistas, apoio do Buddy Gateware e contatos periódicos para acompanhar adaptação, engajamento e necessidades de suporte.
Entre as iniciativas voltadas à saúde mental aplicadas na organização está o programa “Para, Respira e Não Pira”, que reúne conteúdos relacionados à autocuidado , inteligência emocional, feedbacks, escuta ativa, inovação, tomadas de decisão e gestão do tempo no ambiente corporativo. A empresa também mantém uma trilha dedicada ao tema na plataforma interna “Gate of Learning” e oferece parceria com psicólogos para atendimento on-line em condições acessíveis e com confidencialidade.
A companhia também desenvolve ações ligadas à saúde física e à educação financeira. O programa “Movimenta Gateware” incentiva hábitos relacionados à qualidade de vida, prevenção do sedentarismo e adequação dos espaços utilizados no trabalho remoto. Além disso, colaboradores têm acesso a benefícios como TotalPass, SESC PR e parcerias com profissionais da área de nutrição.
Segundo Taline, a experiência acumulada pela empresa demonstra que questões financeiras, emocionais e físicas influenciam diretamente a concentração, a tomada de decisão, o relacionamento entre equipes e a qualidade das entregas. “Quando a organização acompanha esses fatores de forma estruturada, consegue agir mais cedo, reduzir riscos de afastamento e melhorar a experiência dos profissionais ao longo dos projetos”, comenta.
5 pilares que orientam as empresas na nova era dos riscos psicossociais – Jornal Empresas & Negócios




