A capacidade de adaptação dos líderes pode criar uma nova realidade

André Coutinho (*)

A Covid-19 alterou repentinamente operações empresariais e estratégias de negócios em todo o mundo. Desde então, líderes empresariais estão tendo que superar desafios complexos que exigiram reações imediatas com níveis elevados de riscos.

O fato é que, no Brasil, havia uma boa impressão de retomada da economia, com a implementação de reformas estruturais importantes e o avanço de indicadores positivos.

O cenário hoje é outro e desafiou empresas de todos os setores, impondo a necessidade de seus líderes de negócios serem ainda mais resilientes. Essa capacidade de adaptação, ágil e decisiva, aliada à transformação digital, pode criar uma nova realidade.

Para além da gestão da crise em si, com reavaliação de desafios de caixa, fornecimento, contratos, gestão de pessoas e tecnologia, a correta atuação desses executivos na nova realidade, embora desafiadora, pode identificar oportunidades.

É nesse sentido que a pandemia criou disrupções nos mercados que podem afetar as organizações. Em muitos casos, esse cenário acelerou tendências que já estavam em andamento. Portanto, a seguir, estão indicados os oito temas que vão perdurar na “Nova Realidade” e seus respectivos resultados:

1- Maneiras de trabalhar: a persistência provável do trabalho remoto tem implicações nos setores imobiliário e de construção e na cultura de trabalho.

2- Força de trabalho: os roteiros (roadmaps) de transformação digital fornecem o cronograma e impacto da mudança na força de trabalho.

3- Comércio digital: rebalanceamento de investimentos, recursos e da força de trabalho para apoiar o modelo híbrido entre o digital e o físico.

4- Cadeia de suprimentos e manufatura: a localização da cadeia de suprimentos impulsionará a adoção de uma tecnologia de supply chain aprimorada.

5- Continuidade e resiliência: desenvolvimento de novas abordagens para o Plano de Continuidade de Negócios (PCN) abrangendo eventos maiores, mais frequentes e simultâneos globalmente.

6- Meio ambiente e mudanças climáticas: as empresas reconhecem que a pressão dos investidores/do público por mudanças climáticas continuará.

7- Ônus da dívida: circuito negativo emergente entre aumento do desemprego, perda de aluguéis e hipotecas e falências.

8- (Des)globalização: a globalização sofre uma reversão conforme o comércio e o investimento estrangeiro diminuem acentuadamente.

A nova realidade transformou todo o mercado e a retomada nesse cenário exige a execução de frentes integradas de negócios, com investimentos em digitalização, robotização, automação e inteligência artificial. Outra vertente importante é a reconfiguração dos negócios para relações mais centralizadas nos clientes.

O foco deve estar em inovação, transformação digital e atração de investimentos, o que deve contribuir para as operações evoluírem para modelos mais ágeis, relevantes e disruptivos, capazes de se beneficiarem de análises preditivas e da personalização de serviços.

É um reposicionamento estratégico nessa nova realidade para mitigar riscos, identificar oportunidades e gerar negócios.

(*) – É sócio-líder de Clientes e Mercados da KPMG no Brasil e na América do Sul.

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