O número de empresas endividadas no Brasil nunca foi tão alto, segundo dados da Serasa Experian. Mais de 9 milhões de negócios estavam com dívidas em atraso em maio de 2026, acumulando R$ 229,9 bilhões em débitos, sendo esse o maior valor já registrado pela instituição.
O levantamento mostra que a inadimplência deixou de atingir apenas empresas em crise e passou a fazer parte da realidade de muitos empreendedores. Com juros elevados, crédito mais difícil e queda no ritmo da economia, cada vez mais empresários encontram dificuldades para manter as contas em dia.
Para o advogado especialista em Direito Bancário, João Marques, o principal erro é acreditar que a situação vai se resolver sozinha. “Muitos empresários deixam para buscar ajuda apenas quando começam as cobranças judiciais, os protestos ou os bloqueios de bens. Nessa fase, as opções já são menores. Quanto antes a empresa procurar orientação, maiores são as chances de reorganizar as finanças e negociar condições melhores”, explica.
Bola de neve
O especialista destaca que os próprios números mostram o agravamento do problema. Embora a quantidade de empresas negativadas tenha permanecido próxima de 9 milhões nos últimos meses, o valor das dívidas continuou crescendo. “Isso significa que muitas empresas não estão conseguindo quitar o que já devem e acabam acumulando novos débitos. É um sinal de que o problema deixou de ser passageiro e exige planejamento para ser enfrentado”, alerta.
Apesar do cenário preocupante, existem caminhos para evitar que a situação saia do controle, a renegociação direta com bancos e fornecedores costuma ser a primeira alternativa, principalmente quando a empresa ainda consegue manter suas atividades. Também é possível revisar contratos bancários para identificar cobranças indevidas ou juros abusivos, além de recorrer à recuperação judicial quando o endividamento já compromete a continuidade da operação. Na avaliação de João Marques, a recuperação judicial ainda é cercada por preconceitos e, muitas vezes, é procurada tarde demais. “Ela não deve ser vista apenas como a última saída, em muitos casos, quando utilizada de forma preventiva, permite reorganizar as dívidas, suspender cobranças e criar um ambiente mais favorável para que a empresa continue funcionando”, orienta.
