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Intenção de Consumo das Famílias cai pelo quarto mês consecutivo

em Economia
quinta-feira, 22 de maio de 2025

Taxa Selic alta e inflação persistente limitam o consumo, mas percepção dos entrevistados no acesso ao crédito melhora

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) apresentou queda pelo quarto mês consecutivo em maio, evidenciando que o consumidor brasileiro permanece cauteloso. Medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice segue dentro do patamar de otimismo (101,5 pontos com ajuste sazonal), mas os dados revelam a fragilidade da confiança das famílias, especialmente entre quem possui maior renda e os homens.

A retração mensal foi leve, de apenas 0,1% frente a abril, mas na comparação anual a queda foi mais significativa, de 2,1%. Os principais fatores que contribuem para este resultado são a taxa Selic alta e a inflação persistente, que corroem o poder de compra e tornam o crédito mais caro.

“O orçamento das famílias está pressionado, o que leva a esse comportamento mais cauteloso. A manutenção da taxa Selic em níveis altos limita a recuperação do consumo, especialmente de bens duráveis. O desafio agora é conciliar o controle da inflação com estímulos moderados à atividade econômica, evitando o agravamento do endividamento e da inadimplência”, avalia o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

A maior retração anual ocorreu no subíndice Momento para Compra de Bens Duráveis, que desabou 7,6%, sinalizando o impacto direto dos juros altos no consumo de longo prazo. O Acesso ao Crédito também piorou, caindo 0,9%, no comparativo com maio de 2024. No entanto, houve melhora em relação ao mês passado, de 1,4%.

O componente Emprego Atual apresentou queda mensal de 0,3% e anual de 1,7%, enquanto a Perspectiva Profissional recuou 0,2%. No entanto, na comparação com igual período do ano passado, houve leve alta de 0,3%, indicando percepção mais positiva em relação ao futuro do mercado de trabalho na comparação a 2024.

Ainda assim, a Perspectiva de Consumo caiu 3,4% no ano, mesmo com indícios de recuperação no emprego e no crédito. Esse resultado mostra maior seletividade nas decisões de compra, principalmente por conta da alta inadimplência (GECOM/CNC).