IBGE: produção industrial brasileira recuou 2,4% em janeiro

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Os juros e a inflação ajudam a explicar o comportamento negativo da indústria.
Foto: Paulo Whitaker/Reuter/ABr

A produção industrial recuou 2,4% em janeiro, eliminando, assim, grande parte da expansão de 2,9% de dezembro de 2021. Com o resultado, a indústria está 3,5% abaixo do patamar de antes do início da pandemia, em fevereiro de 2020, e 19,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. Em relação janeiro de 2021, a queda foi de 7,2%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada ontem (9), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Verificamos que o mês de janeiro está bem caracterizado pela perda de dinamismo e de perfil disseminado de queda, uma vez que todas as grandes categorias econômicas mostram recuo na produção, tanto na comparação com o mês anterior quanto na comparação com janeiro de 2021”, disse, em nota, o gerente da pesquisa, André Macedo. A expansão verificada em dezembro de 2021 pode ter relação com a antecipação da produção, porque janeiro é um mês marcado por férias coletivas.

O comportamento negativo do setor industrial registrado em janeiro é algo que já vem sendo observado há mais tempo, com o ano de 2021 tendo registrado oito taxas negativas. “Até no indicador acumulado dos últimos 12 meses, no qual a indústria permanece em crescimento, com expansão de 3,1%, os avanços perdem cada vez mais a intensidade. Em agosto de 2021, a taxa chegou a 7,2%. Em setembro, foi para 6,5%, 5,7% em outubro, 5% em novembro e 3,9% em dezembro.”, afirmou Macedo.

Na comparação com dezembro de 2021, 20 das 26 atividades industriais pesquisadas tiveram queda na produção. Frente a janeiro de 2021, 18 registraram recuo. “A indústria vem sendo afetada pela desarticulação das cadeias produtivas por conta da pandemia. Além disso, os juros e a inflação em elevação, juntamente com um número ainda elevado de trabalhadores fora do mercado de trabalho, ajudam a explicar o comportamento negativo da indústria.”, avaliou Macedo.

Segundo o IBGE, entre as atividades, as influências negativas mais importantes foram registradas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-17,4%) e indústrias extrativas (-5,2%), após acumularem expansão de 18,2% e de 6% nos dois últimos meses de 2021, respectivamente. Frente a janeiro de 2021, essas atividades foram as que mais impactaram negativamente o índice geral, com queda de 23,5% na primeira e de 6,7% na segunda (ABr).

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