Empresa paulista cria “pulmão artificial” para tratar COVID-19

A empresa brasileira Braile Biomédica, uma das pioneiras no país no desenvolvimento de equipamentos médicos na área de cardiologia, acaba de colocar no mercado um dispositivo de alta complexidade que pode auxiliar no tratamento de pacientes de COVID-19 em estado crítico. Batizado de Sistema Solis, o equipamento é direcionado para uma terapia conhecida no meio médico pela sigla Ecmo, de oxigenação por membrana extracorpórea.

O aparelho possibilita uma forma de respiração extracorpórea (fora do corpo), utilizada como recurso final quando aparelhos de ventilação mecânica, que atuam como respiradores artificiais, já não surtem mais efeito. “Trata-se de uma espécie de pulmão artificial, que pode ser usado em adultos e crianças”, explica o engenheiro mecânico Rafael Braile, diretor de operações e pesquisa e desenvolvimento da empresa, sediada em São José do Rio Preto.

“O dispositivo drena o sangue para fora do paciente através de cateteres, faz sua oxigenação com auxílio de uma membrana polimérica e o devolve para o doente. É um tratamento invasivo de suporte à vida que pode ajudar a manter o paciente até que seu pulmão se recupere”. Além de indicado para casos de insuficiência respiratória aguda, comuns em pacientes graves infectados pelo vírus SARS-CoV-2, aparelhos para Ecmo, como o Sistema Solis, também podem ser utilizados temporariamente como coração artificial por quem sofreu transplante do coração, infarto do miocárdio ou parada cardíaca.

O equipamento paulista foi desenvolvido em menos de um ano e teve apoio técnico do Instituto de Pesquisas Eldorado, de Campinas, uma das unidades da Embrapii. O projeto recebeu um investimento total de R$ 7,8 milhões, sendo R$ 2,3 milhões bancados igualmente pela Embrapii e Braile, R$ 2,5 milhões financiados pela Desenvolve SP e R$ 3 milhões pelo BNDES. Fonte: Yuri Vasconcelos/Fapesp.

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