Mais de R$300 bilhões em prejuízos foram provocados por eventos climáticos extremos na economia brasileira nos últimos dez anos, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). A agricultura concentrou cerca de 90% desse impacto. Em 2026, a atuação do El Niño adiciona uma nova variável de risco para um setor em que produção, crédito e capacidade de investimento dependem diretamente das condições climáticas.
O fenômeno deve permanecer pelo menos até o início de 2027, segundo informações do Painel El Niño, elaborado por órgãos como Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Os modelos apontam possibilidade de intensificação do fenômeno entre a primavera e o verão de 2026, deixando um pouco de previsibilidade.
Para o produtor, o problema vai além da redução da colheita. Uma quebra de safra pode diminuir a receita disponível para pagar financiamentos, fornecedores e despesas da propriedade, além de limitar os recursos para o ciclo seguinte. “O impacto não termina na porteira. Uma quebra de safra reduz a geração de caixa do produtor e pode comprometer o pagamento de financiamentos e fornecedores”, afirma Pedro Basso, CEO da WFlow Agro.
Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram a real dimensão do problema. A inadimplência do crédito rural contratado a taxas de mercado chegou a 10% em setembro de 2025, ante 3,37% um ano antes. Segundo a entidade, a sequência de problemas climáticos e a baixa cobertura do seguro rural contribuíram para a deterioração financeira dos produtores. E, claro, todo esse quadro pode gerar um impacto inevitável nos preços.
