Economia 29/06/2016

BC: avanço no combate à inflação depende do ajuste fiscal

Economista Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central.
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A continuidade do avanço no combate à inflação depende de ajustes na economia brasileira, principalmente, nas contas públicas, segundo avaliou o Banco Central (BC), no Relatório de Inflação, divulgado ontem (28)

“A literatura e as melhores práticas internacionais indicam que uma política fiscal consistente e sustentável contribui para reduzir as expectativas de inflação de forma que o processo de desinflação seja mais rápido e menos custoso”, disse o BC. O governo apresentou, recentemente, uma proposta que limita o aumento do gasto público à variação da inflação.
No relatório, o BC destacou que leva tempo entre a discussão, a adoção das medidas de ajustes fiscais e os seus resultados. Para o BC, quanto mais ágil for a implementação das medidas, mais rápida será a retomada da “trajetória favorável para a dívida pública e para a confiança de famílias e empresas, ajudando na recuperação da economia e no combate à inflação”.
O BC também citou outros fatores que interverem no combate à inflação: o processo de realinhamento dos preços externos em relação aos internos e livres em relação aos administrados; o efeito dos fenômenos climáticos sobre a produção mundial de alimentos, principalmente de grãos, e a influência sobre os preços domésticos; e as incertezas sobre a economia mundial.
No relatório, o BC enfatizou que buscará fazer com que a inflação fique dentro do limite superior da meta, 6,5%, em 2016, e adotará medidas necessárias para assegurar a convergência da meta em 4,5%. Destacou, ainda, que o cenário atual não permite reduzir a taxa básica de juros, a Selic. Este é o primeiro Relatório de Inflação divulgado na gestão do novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn (ABr).

Quatro em cada dez consumidores possuem cartão de loja

No momento que adquiriu o cartão, três em cada dez (29,9%) usuários não analisaram as tarifas ou juros cobrados.
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Uma alternativa ao cartão de crédito e outras modalidades financeiras disponíveis para os brasileiros é o conhecido cartão de loja. Um levantamento realizado em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 44,5% dos consumidores possuem cartões de loja e a principal motivação para 38,1% destes é poder fazer mais compras. Segundo a pesquisa, 46,9% dos entrevistados que têm cartão adquiriram essa modalidade de pagamento após receberem uma oferta do varejista e 38,8% fizeram a solicitação nas lojas.
Para os especialistas do SPC Brasil e CNDL, a facilidade de conseguir crédito no cartão de loja deve ser encarada com receio pelo consumidor. “Caso a pessoa tenha feito uma boa análise sobre a pertinência de mais uma modalidade de crédito no orçamento pessoal, o novo cartão pode até ajudar na compra de novos produtos, mas caso o histórico seja de descontrole nos gastos, talvez seja melhor não utilizá-lo”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. A pesquisa mostra que, no momento que adquiriu o cartão, três em cada dez (29,9%) usuários não analisaram as tarifas ou juros cobrados e 40,0% não sabem dizer o número de parcelas ainda não pagas de compras realizadas com o cartão de loja – entre os que sabem, a média é de três parcelas.
O descontrole financeiro de alguns brasileiros com o uso do cartão de loja é confirmado quando se observa que 25,7% dos que o utilizaram já ficaram com o nome sujo em algum momento pelo não pagamento das faturas, sendo que 6,4% ainda estão negativados. Outras modalidades analisadas pela pesquisa são o crediário e o carnê. Cerca de 29,9% ainda utilizam essas formas de pagamento, sendo que 48% possui em média 1,7 carnês ou crediário atualmente e a contratação do serviço foi feita principalmente por meio da solicitação à loja (58,5%) e as principais motivações para ter esse tipo de serviço é poder comprar mais (42,3%) e realizar um sonho de consumo (20,2%).

Varejo nacional fechará 2016 com queda de 3,3% nas vendas

O varejo brasileiro deve fechar o ano de 2016 com recuo de 3,3% no volume de vendas, menor do que a queda registrada em 2015 (-4,3%). É o que aponta projeção da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que abrange o varejo restrito nacional, ou seja, não inclui automóveis e material de construção.
Elaborada pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP, a projeção sugere que a queda das vendas atingiu seu máximo em maio e junho: em ambos os meses, a tendência é para uma queda de aproximadamente 6%, considerando-se a variação em 12 meses. Já a partir de julho, o setor deve começar a se recuperar – mas ainda ficará em campo negativo. O Instituto utilizou como base o Índice Nacional de Confiança ACSP/Ipsos.
Desta forma, apesar de o varejo continuar em forte crise, a projeção sugere que o setor pode ter chegado ao “fundo do poço”, em linha com a evolução do Produto Interno Bruto (PIB), iniciando depois certa recuperação. Os resultados podem ser explicados pelo fato de que existem itens de consumo básico difíceis de diminuir, como alimentos e remédios. “São sinais positivos, de que o pior parece ter passado. Embora ainda no terreno negativo, os indicadores apontam para melhora do estado de espírito do consumidor, do empresariado e da indústria. É o primeiro passo para o comércio e o Brasil voltarem a crescer”, comenta Alencar Burti, presidente da ACSP.

 

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