Enquanto a produção de aço recua e o comércio eletrônico registra alta de quase 17%, empresas de transporte ampliam atuação para reduzir dependência do desempenho de um único setor. Assim, o caminhão que ontem transportava produtos ligados à indústria pesada pode fazer parte, amanhã, de uma operação estruturada para atender o comércio eletrônico. Em um cenário no qual diferentes setores da economia avançam em ritmos distintos, a diversificação começa a ganhar importância também entre as transportadoras, atentas às novas demandas.
Os números deste ano potencializam a visualização deste aparente contraste. No primeiro semestre, a produção brasileira de aço bruto atingiu 16,3 milhões de toneladas, representando queda de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025. A produção de laminados recuou 4,4% e as vendas ao mercado interno tiveram retração de 0,2%, segundo dados do Instituto Aço Brasil.
Na outra ponta, o comércio eletrônico vive um momento diferente. O e-commerce brasileiro movimentou R$ 208 bilhões entre janeiro e junho deste ano, crescimento de 16,9%. Para a cadeia logística o fator significativo é o avanço do número de pedidos: foram R$ 756 milhões, gerando alta de 34,8% sobre o primeiro semestre de 2025, segundo levantamento da Confi, por meio da Neotrust e da Aftersale, em parceria com o E-Commerce Brasil.
20% neste ano
O movimento tende a continuar no segundo semestre. A projeção é de R$ 254 bilhões em vendas online no período, 20% acima do registrado um ano antes. Para o transporte rodoviário de cargas, diferenças como essas ajudam a explicar por que depender excessivamente de uma única atividade econômica pode representar um risco.
“O transporte acompanha a economia muito rapidamente. Um segmento pode estar muito aquecido em determinado momento e, pouco tempo depois, outro passa a oferecer mais oportunidades. Por isso, ter capacidade para atender diferentes mercados ajuda a empresa a atravessar essas oscilações e a continuar crescendo”, afirma Leonardo Busin, CEO da Buzin Transportes.
A própria trajetória da Buzin exemplifica essa transformação. A empresa, fundada em 1967, teve durante décadas sua operação fortemente concentrada na siderurgia. Até 2018, o segmento representava todo o foco da companhia. Com a entrada da terceira geração na administração, a empresa começou a ampliar o leque de mercados atendidos. Hoje atende, além da siderurgia, a petroquímica, agro, alimentos e bebidas, papel e celulose, construção civil, saúde e bem-estar e e-commerce. A diversificação permite que a operação acompanhe mais de perto os diferentes ciclos da economia.


