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CNC: endividamento das famílias bate novo recorde

em Economia
quarta-feira, 11 de março de 2026

O mês de Fevereiro de 2026 registra um novo recorde de endividamento no Brasil. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), 80,2% das famílias brasileiras possuem alguma dívida. Este é o maior nível de endividamento de toda a série histórica da pesquisa feita mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2010.

O índice representa um avanço de 0,7 ponto percentual (p.p.) em relação a janeiro e supera em 3,8 p.p. o resultado de fevereiro de 2025. Os números foram divulgados ontem (11). O novo recorde vem acompanhado de uma retomada da inadimplência que interrompeu três meses de queda e subiu para 29,6%.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário é reflexo direto da política monetária restritiva. “O endividamento das famílias brasileiras atingiu um patamar crítico e inédito, asfixiado pela manutenção da taxa Selic em níveis elevados desde 2025”, afirma o presidente Tadros.

“Embora o crédito seja um motor essencial para o consumo, o custo do dinheiro permanece proibitivo, criando um ciclo perigoso em que o aumento das dívidas é potencializado por juros altos que dificultam a amortização. Sem alívio consistente nos juros, a capacidade das famílias de limpar seus cadastros fica seriamente comprometida, o que acaba por frear o dinamismo do nosso comércio e serviços.”

A pesquisa revela que a dificuldade de honrar compromissos financeiros está se tornando mais persistente. O tempo médio de atraso dos pagamentos subiu para 65,1 meses, o nível mais alto registrado desde o fim de 2024. Além disso, a fatia de consumidores inadimplentes por mais de 90 dias avançou para 49,5%, evidenciando que os atrasos estão cada vez mais longos.

“O aumento do endividamento preocupa, não costumamos ver este nível, mas o crescimento da inadimplência preocupa ainda mais porque é mais um sintoma do estrago que este longo período de aperto monetário com a alta Selic provoca no orçamento das famílias brasileiras”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes (Gecom/CNC).