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Personalização na Era da Privacidade: Como Respeitar Dados e Ainda Engajar

em Economia da Criatividade
quinta-feira, 09 de outubro de 2025

Sempre defendi que o marketing educacional só faz sentido quando consegue equilibrar tecnologia e humanidade. No entanto, nos últimos anos, tenho visto crescer a preocupação de pais e alunos com o uso de seus dados. A aprovação da LGPD no Brasil trouxe novas regras para a coleta e utilização de informações pessoais, e isso mudou a forma como as escolas precisam pensar suas estratégias. Se antes a personalização parecia depender apenas de acesso a dados detalhados, hoje o desafio é diferente: como oferecer campanhas segmentadas e relevantes sem ultrapassar os limites éticos e legais?

Na minha prática profissional, percebo que o segredo está na transparência e no respeito. Escolas que explicam claramente para que os dados são coletados conquistam muito mais confiança. Esse princípio é reforçado por Martin e Murphy (2017), que apontam a transparência como elemento-chave para o engajamento digital sustentável. Além disso, a personalização não precisa ser invasiva. Muitas vezes, segmentar por interesses declarados, como cursos de tecnologia ou artes, já é suficiente para criar campanhas altamente eficazes. O ponto central é sempre alinhar as mensagens ao que as famílias realmente desejam ouvir e não ao que a instituição acha que deve oferecer.

Vejo que investir em personalização responsável traz benefícios claros. Primeiro, fortalece a reputação institucional, já que pais e alunos reconhecem quando seus dados estão sendo tratados com seriedade. Segundo, aumenta as taxas de engajamento, pois as mensagens se tornam mais pertinentes e menos genéricas. Por fim, garante a sustentabilidade das ações de marketing no longo prazo. Estudos de Aguirre et al. (2015) mostram que campanhas personalizadas aumentam significativamente a probabilidade de conversão, desde que sejam percebidas como respeitosas. Ou seja, o equilíbrio entre relevância e privacidade é o que garante resultados concretos.

Também acredito que esse movimento exige atualização constante dos profissionais de marketing educacional. Não basta dominar ferramentas digitais; é preciso compreender legislações, tendências e expectativas culturais. Tenho buscado aplicar esse aprendizado continuamente e reconheço o quanto minha formação em instituições inovadoras, como a Full Sail University, me mostrou a importância de aliar tecnologia, ética e criatividade. É essa combinação que dá consistência às estratégias de longo prazo.

Em conclusão, personalizar sem invadir é mais do que uma obrigação legal: é uma oportunidade de construir confiança e engajamento verdadeiro. As instituições que souberem respeitar esse limite se destacarão em um cenário cada vez mais competitivo, porque serão vistas não apenas como escolas, mas como marcas confiáveis.


Referências

Aguirre, E., Mahr, D., Grewal, D., de Ruyter, K., & Wetzels, M. (2015). Unraveling the personalization paradox: The effect of information collection and trust-building strategies on online advertisement effectiveness. Journal of Retailing, 91(1), 34–49. https://doi.org/10.1016/j.jretai.2014.09.005

Martin, K., & Murphy, P. (2017). The role of data privacy in marketing. Journal of the Academy of Marketing Science, 45(2), 135–155. https://doi.org/10.1007/s11747-016-0495-4

Com graduação em Arquitetura e Urbanismo, pós graduação em Administração, MBA em Empreendedorismo e Inovação, e Master in Digital Marketing, Carol Olival tem um perfil multidisciplinar e transita com segurança pelos mercados de educação, marketing, vendas e treinamento. Carol operou escolas próprias de inglês por 10 anos, e hoje é Community Outreach Director da Full Sail University, responsável pela criação e manutenção de comunidades internacionais para a universidade através da divulgação das imensas possibilidades que as carreiras na economia criativa oferecem.